Críticas │ Bruce’s Deadly Fingers (1976)

Bruce’s Deadly Fingers (1976)Bruce’s Deadly Fingers / Bruce’s Fingers

HKG, 1976. 1h31min. Classificação Indicativa: 13 anos. Direção: Joseph Velasco. Roteiro: Joseph Velasco / Yun-Ping Wu. Elenco: Bruce Le (como Huang Kin-Lung (Bruce Wong)), Lo Lieh (Lee Hung (como Lieh Lo)), Michael Wai-Man Chan (Interpol Agent (como Wai-Man Chan)), Nora Miao (Mina Lo), Lik Cheung (Backers T-shirt (como Chang Lieh)), Rose Cheng (Rose (como Rose Marie)), Bolo Yeung (Mr. Young (como Young Zee)).

Bruce’s Deadly Fingers (Bruce’s Deadly Fingers, 1976), é um clássico cult de artes marciais dirigido por Joseph Kong (também creditado como Joseph Velasco). O protagonista é Huang Kin-Lung, sob o nome artístico de Bruce Le e o elenco principal é formado por Nora Miao (frequente colaboradora do Bruce Lee real), o mais famoso e adorável vilão dos filmes de kung-fu, Lo Lieh, e o renomado ator, artista marcial e ex-boxeador de Hong Kong, amplamente conhecido por interpretar chefões e capangas do crime organizado no cinema, Michael Chan Wai-Man.

A história gira em torno de um livro secreto deixado pelo falecido mestre de artes marciais, Bruce Lee, apelidado de “Kung-Fu Finger Book” ou “Livro de Kung-Fu para os Dedos”.

Este manuscrito contém técnicas letais capazes de derrotar ou matar oponentes usando apenas os dedos.

Um chefe do crime organizado, Lo Lieh (Lee Hung), fica obcecado em obter o livro e decide sequestrar a ex-namorada de Bruce Lee, Nora Miao (Mina Lo), para descobrir o seu paradeiro.

Diante disso, o jovem e habilidoso artista marcial Bruce Wong (interpretado por Bruce Le), assume a missão de resgatar a jovem e impedir que o conhecimento perigoso caia em mãos erradas.

Assim, depois que bandidos maliciosos capturam a ex-namorada de Bruce Lee, um jovem artista marcial, Bruce Le, tenta resgatá-la junto com o livro do falecido mestre contendo técnicas letais para matar com os dedos.

O filme tem muita ação desconexa, possui uma produção muito pobre e várias cenas de lutas de kung-fu muito confusas (incluindo uma cena particularmente horrível envolvendo a tortura de uma garota com uma pequenina cobra mortal!). Mas, nenhuma sequência é necessariamente memorável.

Quanto ao enredo, bem…, isso é um pouco complicado. O filme pula de um assunto para o outro e fica tão confuso que entender o que está acontecendo em cada momento se torna difícil. Para piorar a situação, os mocinhos brigam entre si porque não sabem que ambos são mocinhos.

A trama básica é a seguinte: um vilão, especialista em artes marciais e chefe da máfia, quer o “livro dos dedos mortais do kung-fu”, escrito pelo próprio Bruce Lee. Ao longo do filme, ele envia capangas a vários lugares para procurar o livro.

Em seguida, temos outra história paralela: um perdedor tem uma dívida de jogo para pagar e pede à namorada que se prostitua para o mafioso a quem deve o dinheiro.

Ela se recusa, mas o mafioso a obriga. O motivo pelo qual ela chega a ser colocada em perigo por causa desse suposto namorado é apenas um dos muitos pontos sem sentido.

A garota é irmã de Bruce Le e ele sai em busca dela. Em sua procura, ele descobre que o mafioso está procurando o livro e acaba se envolvendo também.

O filme está repleto de algumas das cenas mais arrastadas, passivas e desperdiçadas já vistas no cinema. Momentos em que as pessoas ficam sentadas conversando, mas sem dizer nada, especialmente nada que faça a história avançar.

As cenas saltam de um grupo de personagens para outro sem qualquer apresentação de quem são ou qual é o seu envolvimento, mas eles simplesmente se encontram, brigam ou se confrontam.

O motivo pelo qual algumas pessoas são interrogadas enquanto procuram o livro também nunca é explicado.

Dizer que este filme é ruim é insultar os filmes ruins. Ele nem chega a ser um filme “tão ruim que é bom”. Do jeito que está, eu o recomendaria apenas para fãs incondicionais de artes marciais, e mesmo eles ficarão decepcionados. Ou talvez, se você quiser colecionar todos os filmes com as várias versões de clones do Bruce Lee, queira adicionar este à sua coleção.

Para todos os outros, eu sugeriria algo mais tolerável.

O longa-metragem é amplamente lembrado pelos fãs do cinema de ação de kung-fu dos anos 70 por sua premissa absurda, ritmo frenético de lutas confusas e pelas repetidas menções ao manual de golpes com os dedos na dublagem em inglês (a frase “Kung-Fu Finger Book” é pronunciada aproximadamente 25 vezes na dublagem em inglês).

O filme também conta com a participação de figuras emblemáticas do cinema de Hong Kong, incluindo uma aparição marcante no final do filme do fisiculturista e ator, Bolo Yeung (Mr. Young).

O filme Bruce’s Deadly Fingers (Bruce’s Deadly Fingers, 1976), pertence ao subgênero conhecido como Brucesploitation (subgênero do cinema de exploração (exploitation), no qual produtores de Hong Kong aproveitaram a febre global do sucesso do ator Bruce Lee para lançar dezenas de filmes de baixo orçamento estrelando sósias e imitadores (os estúdios mascaravam a identidade dos novos atores alterando seus nomes artísticos para soar quase idênticos ao original, criando “clones” como Bruce Li, Bruce Le, Dragon Lee e Bruce Liang; os sósias imitavam os trejeitos icônicos de Bruce Lee, como o grito agudo, o gesto de tocar o nariz com o polegar e o uso do macacão amarelo; as histórias variavam entre sequências não oficiais de Operação Dragão (Enter the Dragon, 1973), cinebiografias falsas sobre a vida do verdadeiro Lee e tramas bizarras de ficção; embora tenham nascido como produções puramente comerciais e oportunistas, esses filmes ganharam o status de clássicos cult pelo absurdo e pela criatividade das coreografias; o subgênero perdeu força no início dos anos 1980, principalmente após a ascensão de Jackie Chan, que transformou o cinema de artes marciais ao misturar lutas com comédia física, afastando-se da sombra de Bruce Lee)), que surgiu após a morte prematura do astro, em 1973, para capitalizar sobre o seu legado e imagem.

Com sua morte em 1973, o mundo perdeu talvez a estrela mais carismática das artes marciais, Bruce Lee. Sua lenda continuava a crescer e, desde então, embora tenha havido inúmeras estrelas tentando seguir o mesmo caminho, nenhuma alcançou o status de Lee.

Após seu falecimento, houve muitos imitadores tentando assumir o manto da maior estrela das artes marciais, mas eram “pálidas” comparações. Na verdade, a maioria deles era simplesmente terrível.

Mas seus filmes, lançados na época, merecem um lugar na história do cinema, devido à decisão de usar seu nome de todas as maneiras imagináveis (o que é altamente duvidoso). Prefira o Bruce Lee original!

Recentemente, o documentário Enter the Clones of Bruce (Enter the Clones of Bruce, 2023), e coletâneas especiais lançadas em Blu-ray, da distribuidora e produtora cinematográfica americana independente Severin Films, resgataram a história desses atores e o impacto do gênero na cultura pop.

Divirta-se!

Fontes: IMDb, The Movie Database (TMDB), fanart.tv, United Cine-Production Enterprises, Capital Productions, VCI Entertainment, Pave TV, Omni Productions.