Críticas │ O Estripador de Nova York (1982)

O Estripador de Nova York (1982)The New York Ripper / Lo squartatore di New York

O Estripador de Nova York (The New York Ripper / Lo squartatore di New York, 1982), é um infame filme italiano de 1982. O longa-metragem mistura os gêneros giallo (palavra em italiano para a cor amarela, mas mundialmente o termo ficou famoso para designar um gênero literário e cinematográfico italiano de suspense, mistério e horror), e slasher (um dos subgêneros mais populares do cinema de terror, focado em assassinos psicopatas que perseguem e matam violentamente um grupo de vítimas (geralmente jovens), usando ferramentas cortantes comuns, como facas, machados ou motosserras), sendo amplamente conhecido por sua violência gráfica extrema e atmosfera transgressora.

Dirigido pelo mestre do terror gore (filme sanguinolento) italiano, Lucio Fulci, tem roteiro escrito por Gianfranco Clerici, Vincenzo Mannino, Dardano Sacchetti e pelo próprio Fulci, e é estrelado por Jack Hedley (como o Tenente Fred Williams), Paolo Malco (Dr. Paul Davis), Almanta Suska (Fay Majors (como Almanta Keller)), Howard Ross (Mickey Scellenda), Alexandra Delli Colli (Jane Forrester Lodge), e Andrea Occhipinti (Peter Bunch (como Andrew Painter)); as locações se deram nos EUA, gravado especialmente nas ruas decadentes e reais da Nova York do início dos anos 1980.

A carreira do diretor italiano Lucio Fulci (conhecido como o “Padrinho do Gore” (sanguinolência explícita)), é dividida em quatro fases principais: comédias/musicais (anos 1960), westerns spaghetti (meados dos anos 1960 a 1970), giallos (final dos anos 1960 a 1970), e terror extremo (final dos anos 1970 aos anos 1990). Ele evoluiu de um cineasta de comédias comerciais para um mestre do cinema de gênero.

A história do filme acompanha o esgotado e persistente detetive de polícia Fred Williams (interpretado por Jack Hedley). Ele precisa caçar um assassino em série sádico que persegue e mutila mulheres jovens pela cidade.

Para tentar capturá-lo, o detetive se alia ao psicanalista Dr. Paul Davis (Paolo Malco), na construção de um perfil psicológico do criminoso. A principal e mais bizarra característica do assassino é que ele telefona para a polícia e provoca suas vítimas imitando a voz de um pato (!)

Certo dia, um senhor idoso passeia com seu cachorro e decide jogar um pedaço de madeira para que o animal busque. Porém, quando o cachorro traz de volta não um pedaço de madeira, mas uma mão humana decepada apodrecida, o dono fica, compreensivelmente, perturbado.

Assim começa O Estripador de Nova York (The New York Ripper / Lo squartatore di New York, 1982), o filme mais notório de Lucio Fulci, o mais misógino (preconceito e discriminação contra o gênero feminino), desde O Maníaco (Maniac, 1980), de William Lustig, estrelado por Joe Spinell e Caroline Munro.

O detetive Fred Williams (Jack Hedley), então, está atrás de um psicopata (às vezes, um homem desleixado e de aparência perigosa, com dois dedos faltando, ataca as jovens), que esquarteja mulheres bonitas da maneira mais cruel possível. A voz do assassino, que lembra a do Pato Donald (!), é ridícula e irritante (e não muito bem explicada na trama), mas a nudez desenfreada, o gore (sangue) exagerado, as pistas falsas e a atmosfera extremamente sórdida, compensam isso de sobra.

O Roteiro conciso e a Direção de Fotografia impecável também contribuem para o sucesso cult do filme (são obras que possuem uma base de fãs pequena, mas extremamente devota).

O filme é considerado um dos trabalhos mais niilistas (postura filosófica que nega a existência de um propósito ou sentido intrínseco para a vida), e brutais da carreira de Lucio Fulci.

Devido às cenas explícitas de mutilação (incluindo navalhas e giletes cortando olhos (há uma cena em que o olho de uma garota é cortada com uma lâmina de barbear que é particularmente repugnante e difícil de assistir), e outras agressões gráficas), a obra enfrentou forte rejeição dos críticos da época, que a acusaram de extrema misoginia (sentimento de aversão, desprezo, preconceito ou ódio direcionado às mulheres).

O longa chegou a ser totalmente banido no Reino Unido até o ano de 2002, e hoje é cultuado por fãs do “cinema de exploração” ou “cinema exploitation”: gênero de filmes de baixo orçamento projetado para lucrar rápido capitalizando em temas sensacionalistas, modismos ou tabus; essas produções apelativas focam em cenas de violência, sexo, drogas, bizarrices e terror, priorizando o choque sobre a qualidade artística (grindhouse).

Os críticos também afirmam que O Estripador de Nova York (The New York Ripper / Lo squartatore di New York, 1982), captura perfeitamente o submundo sórdido da Nova York do início dos anos 80, através do estilo visual característico de Lucio Fulci e dos efeitos práticos extremos de violência gráfica que satisfazem os fãs mais exigentes do gênero.

A cinematografia atmosférica e os elementos de mistério mantêm o suspense do início ao fim. No entanto, o roteiro divide opiniões, sendo considerado por alguns como minimalista (tudo aquilo que adota a simplicidade como princípio fundamental, buscando reduzir algo ao seu essencial e eliminar o que é excessivo), e para outros como envolvente; as atuações variam de elogiadas a esforçadas; e a violência sexual quase explícita contra mulheres se mostra controversa.

Não é pornografia como alguns críticos o classificam, mas há uma variedade de perversões sexuais e cenas de nudez gráfica em exibição.

Algumas cenas se destacam, como, por exemplo: a mão decepada apodrecida achada pelo cachorro no começo, o ataque na balsa; o show de sexo ao vivo em que a mulher grava os gemidos simulados do casal de artistas com um gravador de bolso e se masturba na plateia; a perseguição no metrô, a lâmina cortando o olho; a mulher, que tem um casamento aberto com seu marido rico, e percorre Nova York em busca de experiências sexuais, que é humilhada sexualmente por dois jovens em um bar, depois de ser masturbada pelo pé de um deles; o tiro no clímax final.

Mas, nem tudo é sangue e sexo. Lucio Fulci consegue criar algumas cenas com tensão real. Há momentos em que você sabe que o assassino está prestes a atacar, mas a expectativa que Fulci cria no público é muito boa. Apenas as motivações do assassino não são muito bem explicadas…

O tom excepcionalmente repugnante e depravado do filme o torna a obra mais brutal e de terror extremo de Lucio Fulci. Imperdível para os entusiastas do gore (sangue ou imagens de extrema violência), mas avassalador para o público em geral.

Divirta-se!

Fontes: IMDb, The Movie Database (TMDB), fanart.tv, Fulvia Film, 77 Cinematografica, Videocast, 21st Century Distribution, Vidmark Entertainment, Starmaker Entertainment, Anchor Bay Entertainment, Blue Underground, The Criterion Channel.