História: 1970 – 1980 │ Artes Marciais
O Cinema de Artes Marciais é um subgênero de filmes de ação, em que o combate físico estilizado, utilizando diversas técnicas de luta (como Kung-Fu, Karatê e Judô), é o elemento central da narrativa. Essas obras costumam focar em jornadas de autodisciplina, vingança ou justiça, transformando a luta em uma expressão artística e filosófica.
Artes Marciais: Filmes
O gênero ajudou a popularizar práticas orientais no ocidente, como influência cultural, especialmente a partir da década de 1970. Figuras históricas como Bruce Lee, Jackie Chan, Jet Li e Donnie Yen, são nomes que revolucionaram a forma de filmar e executar lutas no cinema.
As coreografias de luta e as cenas de combate eram planejadas como danças, muitas vezes priorizando a estética e o ritmo, sobre o realismo. Frequentemente, exploram temas filosóficos e conceitos como honra, moralidade, respeito ao mestre e o cultivo da força interior.
Os subgêneros orientais incluem estilos específicos como o Wuxia (fantasia épica chinesa), o Cinema de Hong Kong (pilar global de ação, entre as décadas de 1970 e 1990), e o Cinema Samurai Japonês (focado em períodos históricos e dramas de época, caracterizado por intensas lutas de espadas e códigos de honra dos guerreiros; teve seu auge no pós-guerra (1954 – 1970)).
O Cinema de Kung-Fu é um subgênero de artes marciais originário de Hong Kong, caracterizado por intensas cenas de combate corpo a corpo, focadas no estilo de luta real ou estilizado de Kung-Fu, popularizado nos anos 60/70. Diferente do Wuxia (fantasia com espadas), foca em combates desarmados, treinamento, busca por vingança ou justiça.
Desenvolvido intensamente pelos estúdios de Hong Kong, como a Shaw Brothers e a Golden Harvest, é destacado o combate realista desarmado. Histórias comuns como temática, envolvem aprendizado de técnicas, honra, mestres e discípulos, frequentemente situados em épocas passadas recentes (como a dinastia Qing), mais focado na técnica física. Bruce Lee, ícone do período, foi fundamental para a popularização mundial, seguido por Jackie Chan, Jet Li, entre outros.
Clássicos imperdíveis como Operação Dragão (Enter the Dragon, 1973), foi o maior marco de Bruce Lee no cinema mundial; O Mestre Invencível (Drunken Master, 1978), estrelado por Jackie Chan, foi um dos primeiros filmes a se utilizar da Comédia de Kung-Fu; O Grande Dragão Branco (Bloodsport, 1988), sucesso dos anos 80, foi estrelado por Jean-Claude Van Damme; Era Uma Vez na China (Once Upon a Time in China, 1991), virou uma ótima cinessérie, normalmente interpretada por Jet Li, como Wong Fei Hung (tradicional herói popular chinês); O Tigre e o Dragão (Crouching Tiger, Hidden Dragon, 2000), elevou o gênero ao reconhecimento técnico e artístico da crítica e do público; e Kill Bill: Volume 1 (Kill Bill: Vol. 1, 2003), foi a homenagem ocidental do diretor Quentin Tarantino aos clássicos de artes marciais.
O gênero influenciou profundamente o cinema de ação ocidental, e continua popular pela coreografia dinâmica e representação da cultura de combate.
•
Os principais Estúdios de Cinema de Artes Marciais, historicamente concentrados no gênero Kung-Fu e Wuxia, de Hong Kong, são a Shaw Brothers Studio e a Golden Harvest Company, além de produtoras cinematográficas como a Seasonal Film Corporation, e a Lo Wei Motion Picture Company. A Shaw Brothers dominou as décadas de 60/70, enquanto a Golden Harvest ascendeu com Bruce Lee e Jackie Chan, definindo o padrão mundial de ação.
A Shaw Brothers Studio foi a maior e mais influente produtora de filmes de Hong Kong, operando predominantemente entre 1958 e 2011. Fundada por Run Run Shaw e Runme Shaw, o estúdio definiu o cinema de artes marciais mundial, popularizando os gêneros Wuxia (é um gênero chinês de literatura, cinema e TV, que narra aventuras de artistas marciais em um mundo medieval fantástico, focando em temas como honra, justiça e combate estilizado, como “voar” e lutas com espadas), e Kung-Fu (arte marcial chinesa milenar, centrada no desenvolvimento físico, mental e espiritual, traduzida como “habilidade adquirida através do esforço”, que envolve técnicas de combate (com e sem armas), defesa pessoal, movimentos inspirados em animais, respiração e filosofia, promovendo disciplina, saúde e equilíbrio), com clássicos como A Câmara 36 de Shaolin / A 36ª Câmara de Shaolin (The 36th Chamber of Shaolin / Master Killer, 1978).
Foi fundamental para popularizar o cinema de Kung-Fu e Wuxia mundialmente, influenciando diretores ocidentais como Quentin Tarantino. Na década de 1960, construíram o “Movietown”, em Clear Water Bay (área costeira cênica e popular em Hong Kong), que já foi o maior estúdio de cinema privado do mundo, operando num modelo de produção em massa com atores e diretores contratados.
Artes Marciais: Shaw Brothers
Produziram centenas de filmes icônicos, incluindo O Espadachim de Um Braço (One-Armed Swordsman, 1967), Cinco Dedos de Violência / Os 5 Dedos da Morte (Five Fingers of Death / 5 Fingers of Death / King Boxer: Five Fingers of Death / King Boxer / Hand of Death / Invincible Boxer, 1972), e Os Cinco Venenos de Shaolin (Five Deadly Venoms / The 5 Deadly Venoms / The Five Venoms, 1978).
A partir da década de 1970, perderam força para a concorrente Golden Harvest, concentrando seus esforços posteriormente na televisão através da TVB. Em 2000, o vasto catálogo de mais de 760 filmes clássicos, foi adquirido pela Celestial Pictures Limited, preservando grande parte de sua obra.
A Shaw Brothers é frequentemente referida como a “Warner Bros. do Oriente”, devido ao seu impacto e controle da indústria cinematográfica asiática por décadas.
Shaw Brothers: Filmes
A Golden Harvest (conhecida hoje como Orange Sky Golden Harvest), foi uma renomada produtora, distribuidora e exibidora de filmes sediada em Hong Kong, fundada em 1970. Foi fundamental para o sucesso internacional do cinema de artes marciais, lançando astros como Bruce Lee, Jackie Chan, Jet Li e Donnie Yen.
Dominou a bilheteria de Hong Kong, entre as décadas de 1970 e 1990, tornando-se a principal produtora da região nesse período, superando a Shaw Brothers.
A Golden Harvest foi fundada em 1970, em Hong Kong, por Raymond Chow (conhecido como o “padrinho” do cinema de Hong Kong), Leonard Ho e Leung Fung. Após deixarem a Shaw Brothers, Chow e Ho criaram o estúdio, que se tornou dominante nos anos 70 e 80. A empresa foi fundamental para introduzir o cinema de ação de Hong Kong no mercado ocidental.
Diferentemente de outros estúdios, a Golden Harvest optou por contratar produtores independentes, oferecendo liberdade criativa e altos salários a talentos diversos.
Golden Harvest: Filmes
Lançou sucessos mundiais como Operação Dragão (Enter the Dragon, 1973), em parceria com Hollywood; e produziu quase todos os filmes de Jackie Chan, desde 1980.
A empresa opera redes de cinemas em Hong Kong, China continental, Taiwan e Singapura (como a Golden Village).
Após ser renomeada para Orange Sky Golden Harvest, a empresa focou seus negócios em financiamento, distribuição e gestão, diminuindo sua produção própria nos últimos anos.
Atualmente, é um dos maiores circuitos de exibição na Ásia, embora tenha anunciado o encerramento das operações de seus últimos cinemas em Hong Kong, em junho de 2025, concentrando atividades apenas na China e Taiwan.
Golden Harvest: Cinemas
Na segunda metade dos anos 60, o maior estúdio da era, Shaw Brothers, inaugurou uma nova geração de filmes Wuxia, iniciada com Templo da Lotus Vermelha (Temple of the Red Lotus, 1965). Estas produções, em mandarim, eram mais extravagantes e em cor; o seu estilo era menos fantástico e mais intenso, com violência mais forte e acrobática.
Foram influenciadas por filmes de samurais importados do Japão, e pela crescente popularização de romances Wuxia “New School / Nova Escola”, de autores como Jin Yong e Liang Yusheng (escritores chineses), que teve início nos anos 1950. A tendência pode também ter sido encorajada pela necessidade de reconquistar as audiências locais, ao então recentemente popularizado sucesso da televisão.
Esta nova tendência, marcou a mudança dos filmes de ação, destinados a uma audiência masculina, para o centro do cinema de Hong Kong, que por bastante tempo foi dominado por atrizes e gêneros idealizados para uma audiência feminina, como romances e musicais.
Ainda assim, durante a década de 60, atrizes do cinema de ação, como Cheng Pei-pei e Connie Chan Po-chu, se equipararam a atores, como a estrela Jimmy Wang Yu, e continuaram uma velha tradição de mulheres guerreiras presentes no gênero Wuxia.
Os cineastas mais característicos deste período foram Chang Cheh, com O Espadachim de Um Braço (One-Armed Swordsman, 1967), e A Andorinha Dourada (Golden Swallow, 1968); e King Hu, com O Grande Mestre Beberrão (Come Drink with Me, 1966). Hu eventualmente deixou o estúdio Shaw Brothers para prosseguir a sua própria visão do gênero Wuxia, com produções independentes em Taiwan, como o extraordinariamente bem sucedido A Estalagem do Dragão (Dragon Inn / Dragon Gate Inn, 1967). Chang continuou no estúdio, e permaneceu como o prolífico cineasta da Shaw Brothers, até o começo dos anos 80.
Durante o início dos anos 70, o Wuxia deu lugar a uma nova renovação do filme de Kung-Fu, mais gráfico, mais destemido e falado em mandarim, que se tornou o gênero dominante durante toda a década, até o início dos anos 80.
Artistas marciais bem treinados, como Jimmy Wang Yu, Bruce Lee, Gordon Liu, Ti Lung, David Chiang, Chen Kuan-Tai, Lo Lieh, Jackie Chan e Jet Li, tornaram-se algumas das maiores estrelas de cinema, à medida que proporções cada vez maiores da duração dos filmes eram dedicadas às cenas de combate.
A Morte em Minhas Mãos (The Chinese Boxer / The Hammer of God, 1970), protagonizado e dirigido por Jimmy Wang Yu, é largamente considerado como o filme que criou esta “explosão” do Kung-Fu. Mas, mantendo-se na vanguarda, pelos menos inicialmente, esteve o estúdio da Shaw Brothers e o cineasta Chang Cheh.
A Vingança do Kung Fu (Vengeance! / Kung-Fu Vengeance, 1970), de Chang Cheh, foi outro filme a popularizar o gênero, para o qual ele contribuiu com dezenas de filmes, dentre eles O Assassino de Shantung (The Boxer from Shantung, 1972), Dois Heróis do Karatê / 2 Heróis (Heroes Two / Blood Brothers / Kung Fu Invaders, 1974), Os Cinco Venenos de Shaolin (Five Deadly Venoms / The 5 Deadly Venoms / The Five Venoms, 1978), e Combate Mortal (Crippled Avengers / The Return of the 5 Deadly Venoms, 1978).
O Cinema de Kung-Fu foi particularmente influenciado pela preocupação de Chang Cheh com sua visão de valores masculinos e amizade entre heróis; as figuras de guerreiras que foram proeminentes no trabalho, do gênero Wuxia, do final da década de 1960, foram marginalizadas, com exceções notáveis como a popular Angela Mao.
O único concorrente de Chang Cheh, como cineasta mais influente do gênero, era seu coreógrafo de ação de longa data, Lau Kar-Leung (também conhecido como Liu Chia-Liang, em mandarim). Lau começou a dirigir seus próprios filmes para os irmãos Shaw em 1975, com O Lutador Espiritual (The Spiritual Boxer / Naked Fists of Terror, 1975), um precursor da comédia de kung-fu.
Em títulos subsequentes, como Carrascos de Shaolin (Executioners from Shaolin / The Executioners of Death / Shaolin Executioners, 1977), A Câmara 36 de Shaolin / A 36ª Câmara de Shaolin (The 36th Chamber of Shaolin / Master Killer, 1978), e Armas Lendárias da China (Legendary Weapons of China, 1982), Lau Kar-Leung enfatizou as tradições e a filosofia das artes marciais, e se esforçou para dar às lutas, na tela maior do cinema, autenticidade e cada vez mais velocidade e complexidade.
Artes Marciais: Lau Kar-Leung
Heróis nos filmes de artes marciais, são protetores, frequentemente mestres em Kung-Fu ou outras disciplinas, que utilizam agilidade, força e, por vezes, controle do Chi (ou Qi), manipulação e canalização da energia vital, que flui através do corpo e do universo; para defender os fracos, combater a injustiça e superar adversidades. Representam virtudes como coragem, honra e nobreza, agindo como figuras de moralidade que lutam contra inimigos, sejam estrangeiros opressores ou traficantes modernos.
Os heróis nos filmes de Kung-Fu, especialmente no gênero Wuxia, são mestres marciais exemplares, caracterizados pela alta moralidade, habilidades de combate que superam as limitações físicas (voar, força sobre-humana…), e, frequentemente, buscam vingança, justiça, autorrealização ou a proteção dos fracos. Eles seguem um código de honra, agindo com bravura e nobreza, tornando-se defensores dos oprimidos.
Eles não lutam apenas pela força física; muitas vezes, são guiados por códigos de honra, buscando equilíbrio interno e retidão, frequentemente atrelados a conceitos de Kung-Fu. São figuras que representam bravura, nobreza e, muitas vezes, possuem força e agilidade extraordinárias. Suas habilidades incluem controle de pontos de pressão, uso de armas exóticas e, às vezes, o domínio do Chi (energia interior).
Artes Marciais: Heróis
No cinema de artes marciais, o herói é frequentemente um artista marcial tão habilidoso, que realiza feitos sobrenaturais, como saltar grandes distâncias ou voar, representando a superação dos limites físicos. Possuem técnicas de combate refinadas, habilidades extraordinárias, agilidade extrema e, em filmes de estilo Wuxia, podem até “voar” ou “desafiar a gravidade”, agindo como super-heróis humanos.
Geralmente, o herói é um defensor da comunidade e da justiça, protegendo os indefesos contra opressores, Mongóis, Manchus ou criminosos, dependendo do contexto histórico ou moderno do filme. Frequentemente, o herói passa por um intenso treinamento, desenvolvendo técnicas baseadas em estilos de animais ou estilos de luta tradicionais.
Artes Marciais: Atores e Atrizes
Podem também ser do tipo herói relutante, que evita violência, o mestre vingador ou o anti-herói. Personalidades como Wong Fei Hung (renomado artista marcial, médico tradicional e herói popular chinês do século XIX), retratado em inúmeros filmes, exemplificam o herói do povo.
Figuras, ícones culturais, como as interpretadas por Bruce Lee, Jackie Chan ou Jet Li, tornaram-se símbolos de superação e domínio técnico, transcendendo barreiras culturais. Esses personagens não são apenas lutadores, mas exemplos de disciplina e, por vezes, podem ser retratados como anti-heróis, mas que, em última análise, fazem a coisa certa.
Esses heróis não são apenas lutadores, mas símbolos de virtude e capacidade de transcendência.
Artes Marciais: Heróis do Kung-Fu
Heroínas em filmes de artes marciais, são protagonistas femininas poderosas que desafiam estereótipos de “donzela em perigo”, liderando com habilidades superiores em combate e técnicas de luta (como Kung-Fu). Elas representam a força, disciplina e agilidade, frequentemente superando antagonistas masculinos e protagonizando sequências de ação memoráveis.
As heroínas dos filmes de Kung-Fu, são personagens femininas protagonistas ou de destaque, que dominam artes marciais, desafiando estereótipos de fragilidade com força, habilidade e coragem. Ao contrário de muitas produções ocidentais de épocas anteriores, o cinema de Kung-Fu frequentemente colocou mulheres em papéis ativos e centrais na narrativa.
Elas representam a “marcialidade do feminino”, atuando como guerreiras em estilos como o Wing Chun (ou Ving Tsun: é um sistema de arte marcial chinesa focado em defesa pessoal de curta distância, conhecido pela economia de movimentos, velocidade e eficiência; destaca-se por técnicas de ataque e defesa simultâneas, ataques focados em pontos vitais e áreas sensíveis (linha central), e treinamento para permitir que pessoas menores superem agressores maiores), ou em filmes Girls with Guns (subgênero de ação focado em protagonistas femininas habilidosas com armas de fogo, misturando intensos tiroteios, acrobacias e artes marciais, popularizado pelo cinema de Hong Kong, nos anos 80/90; o estilo retrata mulheres fortes, muitas vezes em tramas de crime ou espionagem), dos anos 80.
Artes Marciais: Angela Mao
O estilo de luta, como o Wing Chun, é frequentemente associado a mulheres, por ser um método simples, direto e eficaz, idealizado para que uma pessoa mais fraca possa vencer uma oponente mais forte. Essas personagens são frequentemente policiais, justiceiras ou lutadoras habilidosas, que superam adversários masculinos, sendo cruciais para o cinema de ação, especialmente em Hong Kong.
Diferentemente de Hollywood, o cinema de artes marciais asiático (e produções ocidentais inspiradas), há décadas coloca mulheres como protagonistas centrais. São lutadoras habilidosas, estrategistas e, muitas vezes, mestres em combate corporal ou com armas, sendo figuras de força física e moral.
Atrizes como Angela Mao Ying (considerada a “Lady Kung-Fu”, nos anos 70), Cynthia Rothrock (conhecida como a “máquina de chutes”), Michelle Yeoh e Zhang Ziyi, são exemplos fundamentais; e personagens como as do filme O Tigre e o Dragão (Crouching Tiger, Hidden Dragon, 2000).
Quebram a sub-representação feminina, mostrando mulheres que não precisam de salvamento, mas sim, que dominam o cenário de ação. Essas heroínas transformam o gênero ao demonstrar que a maestria marcial é independente de gênero.
Artes Marciais: Heroínas
Vilões em filmes de artes marciais, são antagonistas extremamente habilidosos, cruéis e muitas vezes gananciosos, criados para complicar a vida do protagonista e oferecer combates épicos. Eles são fundamentais para o sucesso dos filmes, representando um desafio físico e moral insuperável, com feições muitas vezes monstruosas ou intimidadoras.
Os vilões de filmes de Kung-Fu, tradicionalmente de Hong Kong, são antagonistas icônicos, frequentemente mestres em estilos brutais ou desonrosos de artes marciais, criados para destacar a técnica e a moralidade do protagonista. Eles representam a corrupção, a tirania ou a vingança, com atores lendários como Shih Kien (ator e artista marcial de Hong Kong, amplamente reconhecido como o vilão Han, no filme clássico Operação Dragão (Enter the Dragon, 1973), enfrentando Bruce Lee), personificando a vilania cruel e inesquecível do cinema de ação clássico.
Kung-Fu: Vilões
Geralmente, os vilões são mestres em estilos de luta mortais, como exemplificado por Chong Li (Bolo Yeung), em O Grande Dragão Branco (Bloodsport, 1988), um vilão cruel e de poucas palavras. Frequentemente, servem como espelhos sombrios dos protagonistas, como Tai Lung (voz de Ian McShane), que é ambicioso e arrogante, em contraste com a humildade de Po (voz de Jack Black), na ótima animação da DreamWorks Animation, Kung Fu Panda (Kung Fu Panda, 2008). Podem ser fisicamente imponentes, cruéis, estratégicos e possuem técnicas únicas de luta (ex: “Os Cinco Venenos”, em Os Cinco Venenos de Shaolin (Five Deadly Venoms / The Five Deadly Venoms / The 5 Deadly Venoms, 1978), como Lagarto, Centopeia, Sapo, Cobra ou Escorpião).
São movidos por vingança, poder ou ganância, exemplificados por Kai (voz de J.K. Simmons), em Kung Fu Panda 3 (Kung Fu Panda 3, 2016), que busca dominar o Chi (energia vital espiritual, que flui através de todos os seres vivos), e escravizar mestres.
Além de Chong Li (Bolo Yeung), outros vilões marcantes incluem oponentes de Jackie Chan, e figuras lendárias do cinema de ação, como os antagonistas da Shaw Brothers (os filmes frequentemente traziam mestres corruptos ou líderes de clãs rivais).
Lo Lieh foi um lendário ator e diretor, nascido na Indonésia, famoso por seus papéis no cinema de artes marciais de Hong Kong, especialmente na Shaw Brothers, nos anos 60 e 70. Ele é frequentemente descrito como um vilão “carismático” ou “adorável”, devido à sua presença magnética na tela, alternando entre heróis enigmáticos e vilões astutos, com grande maestria.
Sua interpretação mais famosa, foi como o temido e vingativo mestre Pai Mei, em filmes como Carrascos de Shaolin (Executioners from Shaolin / The Executioners of Death / Shaolin Executioners, 1977), e, posteriormente, dirigindo e estrelando O Clã do Lotus Branco (Clan of the White Lotus / Fists of the White Lotus, 1980). Pai Mei é reconhecido pela sobrancelha branca e barba longa, um vilão icônico que influenciou personagens como em Kill Bill: Volume 1 (Kill Bill: Vol. 1, 2003).
Antes da explosão de Bruce Lee, Lo Lieh já era um dos maiores astros de artes marciais da Ásia, protagonista do sucesso internacional Cinco Dedos de Violência / Os 5 Dedos da Morte (Five Fingers of Death / 5 Fingers of Death / King Boxer: Five Fingers of Death / King Boxer / Hand of Death / Invincible Boxer, 1972), que abriu as portas do Kung-Fu para o ocidente.
Embora consagrado como vilão, ele iniciou sua carreira em papéis de herói, em filmes como A Morte em Minhas Mãos (The Chinese Boxer / The Hammer of God, 1970). Ao longo da carreira, atuou em mais de 100 filmes, incluindo Dragões para Sempre (Dragons Forever, 1988), com Jackie Chan.
Ele é lembrado como um dos pilares do Cinema de Kung-Fu da Shaw Brothers.
Vilões: Lo Lieh
Esses personagens (os vilões), garantem a tensão e a necessidade de evolução do herói ao longo da narrativa. O vilão é essencial para a ‘jornada do herói’, exigindo que o protagonista supere seus limites físicos e mentais para vencer, muitas vezes após perder um mestre ou amigo, para o vilão.
Esses vilões transcendem a maldade, tornando-se tão reconhecidos quanto os próprios heróis das produções clássicas.
Os Maiores Vilões dos Filmes de Artes Marciais:
Sho’nuff (Julius J. Carry III): o filme O Último Dragão (The Last Dragon, 1985), é um clássico das tardes dos anos 80 e 90; trazia um garoto chamado Bruce Leeroy como protagonista e era muito divertido; porém, o filme precisava de um vilão à altura, e ele é nada mais, nada menos, que Sho’nuff, o Shogun do Harlem; esta mistura incrível da ‘cultura Black’ (este filme é um dos produtos da época do Blaxploitation), com a ‘cultura oriental’, nos deu um dos melhores filmes de artes marciais de todos os tempos; Sho’nuff era mal, cruel, insano, lutava bem e ainda tinha ótimas caretas!
Yuri Boyka (Scott Adkins): em O Lutador / O Imbatível 2 (Undisputed II: Last Man Standing, 2006), somos introduzidos ao lutador mais completo do mundo; porém, ele é ruim até os ossos!; Scott Adkins, é o maior artista marcial da atualidade no ocidente (embora os filmes de artes marciais tenham caído muito no mainstream); o ator é muito respeitado: sua atuação criou toda sua fama para o personagem Boyka (que é maldoso no filme), e ajudou a sua carreira crescer!; vejam o homem lutar e se impressionem!
Gabriel YuLaw (Jet Li): no incrível filme O Confronto (The One, 2001), o ator Jet Li interpreta o vilão Gabriel Yulaw e o protagonista Gabriel Yulaw também!; o filme mostra que uma das versões do multiverso de Gabriel Yulaw, viajou de universo a universo derrotando suas contrapartes, e, com isto, se torna cada vez mais forte; isso ocorre até que ele enfrente sua contraparte final e completamente contrária; Jet Li, além de interpretar duas personalidades muito diferentes entre si, luta com dois estilos de Kung-Fu diferentes; este é um dos melhores filmes da carreira do ator e sua versão maldosa de Gabriel Yulaw, é incrivelmente cruel.
Funekei Yoshida (Cary-Hiroyuki Tagawa): Cary-Hiroyuki Tagawa, é um daqueles atores onde é impossível ele viver um mocinho, o ator foi feito para interpretar vilões; embora seja até mais conhecido pelo filme live-action do jogo Mortal Kombat, Mortal Kombat (Mortal Kombat, 1995), onde ele interpreta Shang Tsung, entra na lista dos maiores vilões dos filmes de artes marciais, pela sua interpretação do líder da Yakuza, Yoshida, do filme Massacre no Bairro Japonês (Showdown in Little Tokyo, 1991): neste filme, de maldade à flor da pele, Cary-Hiroyuki foi o assassino dos pais do detetive Kenner, vivido por Dolph Lundgren, e além de toda maldade que faz no filme, ainda é o vilão da luta final.
Ivan Kraschinsky (Jean-Claude Van Damme): Jean-Claude Van Damme é uma lenda no cinema das artes marciais; porém, vale lembrar que ele já interpretou alguns vilões no cinema, e seu melhor personagem nesta situação, é o russo Ivan Kraschinsky, do filme Retroceder Nunca, Render-se Jamais (No Retreat No Surrender, 1986); neste filme, ele é um guarda-costas contratado pela máfia para extorquir academias de artes marciais, para que elas entrem em uma cooperativa; este é um dos poucos filmes onde vemos Van Damme lutando ao seu máximo, com bastante velocidade, precisão e especificamente, para este filme, maldade no coração!
Tong Po (Michel Qissi): vivido pelo amigo pessoal de Jean-Claude Van Damme, Michel Qissi, Tong Po se tornou lendário pelas cenas de calejamento na pilastra de um ginásio, e pela icônica cena onde ele aleija o irmão do protagonista, no filme Kickboxer: O Desafio do Dragão (Kickboxer, 1989); o vilão se tornou tão icônico, que nas continuações (com qualidade extremamente duvidosa), ele aparece, mesmo sendo interpretado por outros atores; não tem como não sentir raiva deste personagem no filme; além de lutar Muay Thai (boxe tailandês), é maldoso demais.
Silverio (Paco Christian Prieto): Paco Christian Prieto entregou um dos mais cruéis vilões do cinema, no filme Esporte Sangrento (Only the Strong, 1993); vivendo o poderoso capoeirista Silverio, ele é um líder do crime que influencia os jovens a cometerem furtos e outros crimes; além de ser um ótimo capoeirista e ator, é um desafio à altura para o protagonista do filme, vivido pelo grande Mark Dacascos; filme que foi exibido bastante nos anos 90 no SBT, é icônico por trazer a capoeira como arte marcial principal do filme.
Ivan Drago (Dolph Lundgren): Dolph Lundgren nunca foi um primor em interpretações, porém, no filme Rocky IV (Rocky IV, 1985), ele conseguiu sem quase dizer uma palavra, ser muito mais cruel que a maioria dos vilões de filmes de artes marciais (que geralmente, são muito mais caricatos do que maus mesmo); um gigante criado pela União Soviética para ser seu campeão, Ivan Drago era incrivelmente bom no boxe e ao mesmo tempo, sem piedade com os adversários; você pega raiva dele logo nos primeiros segundos que o vê no filme; Rocky IV (Rocky IV, 1985), é o melhor filme da franquia por bons motivos, e Ivan Drago é um deles.
Han (Kien Shih): Operação Dragão (Enter the Dragon, 1973), é dito por muitos, como o melhor filme de artes marciais de todos os tempos: boa trilha sonora, ótimo elenco, lutas espetaculares, bom enredo (o que é raro em filmes de artes marciais), e um vilão icônico e cruel!; o ator Kien Shih interpreta Han, um mafioso que organiza um campeonato de artes marciais em uma ilha cheia de mulheres, mistério e morte; sua luta final com Bruce Lee, em uma sala cheia de espelhos, é lendária até hoje no cinema de ação.
Chong Li (Bolo Yeung): se existe um vilão que transcende o limite da maldade, de forma que ele seja conhecido até mesmo por pessoas que não gostam de artes marciais, este vilão é Chong Li; vilão supremo do filme O Grande Dragão Branco (Bloodsport, 1988), conhecido pelas incríveis frases de efeito e sua crueldade em combate, Chong Li está no topo de qualquer lista dos maiores vilões dos filmes de artes marciais; este papel inclusive, catapultou a carreira de Bolo Yeung (amplamente reconhecido como o “Hércules Chinês”), que é um incrível empresário hoje em dia: ele é o técnico da equipe de fisiculturistas da Federação Internacional de Tapei (Taiwan), e presidente da Associação dos Proprietários de Academias de Hong Kong (Hong Kong Gym Business Association); feições de psicopata, aspecto monstruoso, bom de briga, traiçoeiro e de poucas palavras: este é Chong Li!
Artes Marciais: Vilões
Subvilões são quase tão habilidosos quanto o vilão principal e, muitas vezes, mais fortes que o herói, durante a maior parte do filme. Eles servem para mostrar o nível de perigo que o herói enfrenta.
No cinema de Kung-Fu, os “subvilões” ou “antagonistas secundários” (também chamado de capanga principal, braço direito ou henchman de elite), frequentemente roubam a cena com estilos de luta especializados ou presença física extrema, servindo como os últimos guardiões, antes do chefe ou vilão principal.
É crucial, no cinema de Kung-Fu, testar o herói antes da luta final. Esses capangas ou mestres rivais, frequentemente exibem estilos especializados e uma crueldade intensa, impulsionando a narrativa.
Esses personagens são frequentemente concebidos com personalidades únicas, muitas vezes grotescas, para contrastar com a natureza firme e inabalável de muitos heróis, adicionando profundidade ao gênero de filmes de artes marciais.
Eles costumam praticar estilos de Kung-Fu únicos, cruéis ou bizarros (ex: “estilo da garra”, “técnica do ferro”, ou o uso de armas especiais), que se contrapõem ao estilo do protagonista.
Em muitos filmes (como clássicos da Shaw Brothers), o herói precisa derrotar uma série de subvilões, cada um mais forte que o anterior, antes de chegar ao chefe final (eles servem como “escada” para o vilão central).
Sendo assim, o subvilão (como os tradicionais Eddie Ko, Kam Kong, Chan Wai Man, Phillip Kao-Fei, Tommy Lee, Lung Fei, Chan Sing, Yen Shi Kwan e Lee Hoi-Sang), é o desafio técnico que força o herói a treinar mais, aprender uma nova técnica, ou evoluir espiritualmente para vencer a batalha final.
Uma convenção clássica nos anos 70/80, era o subvilão (ou vilão) de “cabelos brancos” ou com aparência peculiar, representando o auge do treinamento marcial, sendo imbatíveis na maior parte da trama. Obras lendárias como Carrascos de Shaolin (Executioners from Shaolin / The Executioners of Death / Shaolin Executioners, 1977), O Monge de Shaolin (Abbot of Shaolin / A Slice of Death / Shaolin Abbot, 1979), e O Clã do Lotus Branco (Clan of the White Lotus / Fists of the White Lotus, 1980), representam com maestria esses clássicos.
Artes Marciais: Subvilão ou Vilão de “cabelos brancos”
Vilões secundários icônicos:
Bolo (Bolo Yeung), em Operação Dragão (Enter the Dragon, 1973): o vilão secundário musculoso por excelência, cujo físico imponente e eficiência implacável, o tornaram um ícone global.
Colt (Chuck Norris), em O Voo do Dragão (The Way of the Dragon / Return of the Dragon / Revenge of the Dragon, 1972): é o temível campeão de karatê norte-americano (vilão final que luta com o herói no Coliseu de Roma, em uma das cenas mais icônicas do cinema), contratado por mafiosos para enfrentar Tang Lung (Bruce Lee).
Capanga de Hua (Benny “The Jet” Urquidez), em Dragões para Sempre (Dragons Forever, 1988): frequentemente citado por uma das maiores cenas de luta da história, ele serve como a principal ameaça física para Jackie Chan, enquanto o vilão principal permanece atrás de uma mesa.
As Três Tempestades (Peter Kwong, Carter Wong e James Pax), em Os Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in Little China, 1986): Chuva, Trovão e Relâmpago, atuam como os executores sobrenaturais de Lo Pan (James Hong), cada um utilizando artes marciais baseadas nos elementos.
Mad Dog (Yayan Ruhian), em Operação Invasão (The Raid: Redemption, 2011): um lutador implacável que prefere “a sensação” de uma morte física ao uso de armas, enfrentando dois heróis ao mesmo tempo.
Jade Fox (Cheng Pei-pei), em O Tigre e o Dragão (Crouching Tiger, Hidden Dragon, 2000): uma mestra amarga e habilidosa, que serve como mentora traiçoeira e antagonista secundária da jovem Jen Yu (Zhang Ziyi).
Atores lendários de “Gatekeeper”:
Certos atores ficaram famosos especificamente por interpretar o vilão secundário que representava o “obstáculo final”.
Hwang Jang-lee: conhecido como “King of the Legfighters / Rei dos Lutadores de Pernas”, “Thunderleg / Perna de Trovão” e “Silver Fox / Raposa Prateada”, ele geralmente interpretava o lutador quase invencível que o herói precisava treinar especificamente para derrotar.
Wang Lung-wei: o típico “vilão” da Shaw Brothers, geralmente interpretando o executor habilidoso e arrogante de um senhor ou empresário corrupto.
Dick Wei: um ex-instrutor de artes marciais da vida real que frequentemente interpretava o lutador mais perigoso em gangues de vilões, notavelmente como o ‘Rei Pirata’ (personagem Lor Sam Pau), em Projeto China (Project A, 1983).
Grupos Notórios:
“Os Cinco Venenos Mortais” (Philip Kwok, Lu Feng, Lo Meng, Wai Pak e Sun Chien), em Os Cinco Venenos de Shaolin (Five Deadly Venoms / The Five Deadly Venoms / The 5 Deadly Venoms, 1978): neste clássico cult, vários membros da “Gangue do Veneno”, atuam como subvilões (ou também vilões), que se alternam (como Lagarto, Centopeia, Sapo, Cobra ou Escorpião), dependendo das traições da trama.
A Gangue do Machado, em Kung-Fusão (Kung Fu Hustle, 2004): embora sejam numerosos, seus principais “subchefes” (os Harpistas), proporcionam alguns dos combates musicais mais singulares do filme.
Artes Marciais: Subvilões
•
A explosão das artes marciais, foi parcialmente impulsionada pela enorme popularidade internacional, e não apenas no Leste Asiático. No Ocidente, as importações de kung-fu, dubladas e frequentemente remontadas e renomeadas, exibidas como “Filmes B”, em cinemas urbanos e na televisão, fizeram com que o cinema de Hong Kong fosse amplamente notado, embora não amplamente respeitado, pela primeira vez.
Os afro-americanos abraçaram particularmente o gênero, talvez como uma fonte quase sem precedentes de histórias de aventura, com heróis não brancos, que, além disso, muitas vezes exibiam um forte traço de orgulho racial e/ou nacionalista.
A popularidade desses filmes na América do Norte continuou na década de 1980, com o surgimento dos Filmes de Ninja.
Na cultura popular, os filmes dessa época eram coloquialmente conhecidos como “Kung Fu Theater” ou “Black Belt Theater”, nomes que muitas emissoras independentes usavam para sua programação semanal.
O filme The Brothers (The Brothers, 1979), uma produção da Shaw Brothers, representou um afastamento significativo dos filmes de kung-fu, pelos quais o estúdio era conhecido. “Os Irmãos” era um drama policial de ação, sobre dois irmãos em lados opostos da lei. Por sua vez, o filme lançou as bases para o gênero de violência heroica, do cinema de Hong Kong da década de 1980, inspirando o filme inovador Alvo Duplo (A Better Tomorrow, 1986), de John Woo, estrelado por Chow Yun-Fat, Ti Lung e Leslie Cheung.
Divirta-se!
Artes Marciais: Melhores Filmes
•
Fontes: IMDb, The Movie Database (TMDB), fanart.tv, SureBros.Ent.

Forme-se na nossa Academia!
LOUCADEMIA DE CINEMA Filmes, Cinema, Pôster, Trailer, Críticas, Novidades, Gêneros, Animação, Comédia, Documentário, Drama, Ficção Científica, Musical, Romance, Suspense, Terror
























