A Saga do Dragão (1983) – Fearless Hyena II
HKG, 1983. 1h34min. Classificação Indicativa: 12 anos. Direção: Chen Chuan (como Chuan Chen). Roteiro: Lo Wei. Elenco: Jackie Chan (Chan Lung (como Jacky Chan)), Dean Shek (Jaws Four), James Tien (Old Chen), Austin Wai (Ah Tung), Shi-Kwan Yen (Heaven and Earth Society Leader), Yeong-moon Kwon (Earth Devil (como Yeong-Mun Kwon)), Eun-joo Im (Hsia Ling (como Lin Yin-Chu)), Hui-Lou Chen (Chan Chi-Pei), Kwok-Choi Hon (Frog), Li-Peng Wan (Pink Panther).
Também conhecido pelo título brasileiro ‘A Saga do Dragão: A Luta Final’, ou ainda pela nomenclatura em inglês ‘Fearless Hyena 2’.
Dois malvados lutadores de kung-fu, chamados nas ruas de Céu e Terra, estão massacrando toda a irmandade Yin-Yang. Caberá ao jovem Lung encontrar seu irmão e formar uma equipe para enfrentar os vilões.
Uma dupla de artistas marciais malignos de kung-fu, Céu e Terra, está matando toda a irmandade Yin-Yang. O filme começa com dois membros da irmandade e seus dois filhos sendo perseguidos por Céu, Terra e outros bandidos. Os dois membros conseguem escapar separadamente com seus filhos.
Vinte anos depois, vemos Jackie Chan (Chan Lung), caçando sapos e cobras (e matando galinhas), e os guardando em suas calças. Descobrimos que ele era um dos meninos. O outro é um homem preguiçoso que usa alavancas movidas a moinhos de vento para levar coisas até a cama e trazê-las de volta, até mesmo um penico e o café da manhã.
Eventualmente, suas respectivas figuras paternas são mortas e eles são forçados a lutar contra Céu e Terra.
A Saga do Dragão (Fearless Hyena II, 1983), é um filme de artes marciais com temática de comédia, de Hong Kong, dirigido por Chan Chuen (ou Chen Chuan), e estrelado por Jackie Chan (também com imagens de arquivo). É a sequência “não oficial” do primeiro A Vingança do Dragão (The Fearless Hyena, 1979). Há muitas controvérsias em torno dele: foi marcado por uma produção conturbada e recepção negativa por parte do público, refletindo o descontentamento com a narrativa desconexa.
Como resultado, o filme tem uma qualidade fragmentada e é difícil de acompanhar. Cenas se sucedem sem nenhuma progressão lógica ou conexão em alguns momentos (até Jackie Chan aparece pouco).
O filme foi produzido pela Lo Wei Motion Picture Company, durante um período em que Jackie Chan tentava romper seu contrato com o produtor Lo Wei. A produção do filme é conhecida por ter sido finalizada sem a plena participação de Jackie, usando dublês (Li Hsiao Ming, como Cheng Lung (dublê de Jackie Chan)), e cenas recicladas.
Um filme que não é bem uma continuação de A Vingança do Dragão (The Fearless Hyena, 1979), como o título em inglês faz parecer. Na verdade, este A Saga do Dragão (Fearless Hyena II, 1983), tem personagens totalmente diferentes (apesar do elenco ser quase o mesmo do primeiro filme, mas em papéis distintos), e foi feito de forma oportunista pelo produtor/diretor Lo Wei, com sobras da primeira fita e outras cenas com Jackie Chan (que em 1983 já trabalhava em outro estúdio de cinema, a Golden Harvest).
O longa-metragem é frequentemente criticado por ser uma colagem de cenas inacabadas e reaproveitamento de material. Devido aos conflitos nos bastidores e à montagem (edição), o filme é considerado uma produção menor na carreira de Jackie Chan.
Foi finalizado sem a participação total de Jackie Chan, que havia rompido com a produtora de Lo Wei. Isso resultou no uso extensivo de dublês e cenas de arquivo do primeiro filme para completar a história (cenas completamente remendadas).
Embora apresente sequências de ação no estilo clássico de Hong Kong, a falta de continuidade prejudica o impacto das coreografias, em comparação ao original de 1979. A trama de vingança é considerada genérica, servindo apenas como suporte para as lutas, sem o carisma habitual das obras dirigidas pelo próprio Chan.
Quando o produtor de cinema Willie Chan (empresário artístico e parceiro de produção de Jackie Chan), deixou a Lo Wei Motion Picture Company para se juntar à Golden Harvest, ele aconselhou Jackie Chan a decidir por si mesmo se deveria ou não permanecer na Lo Wei. Chan começou a trabalhar no filme, mas depois quebrou seu contrato (este é o último filme de Lo Wei em que Jackie trabalhou), e se juntou à Golden Harvest.
Isso levou Lo Wei a chantageá-lo com as Tríades (sindicato do crime organizado), e a culpar Willie Chan pela saída de sua grande estrela principal. A disputa foi resolvida com a ajuda do ator e diretor lendário, Jimmy Wang Yu, permitindo que Chan permanecesse na Golden Harvest.
Então, para concluir o filme, Lo Wei (ou Wei Lo), contratou dublês para substituir Jackie Chan no restante do trabalho, usou tomadas alternativas e reutilizou cenas do primeiro filme. Chan menciona que o produto final ficou tão ruim que ele até tentou impedir seu lançamento entrando com um processo judicial contra “um filme com seu nome”, mas Lo Wei lançou o filme mesmo assim.
Depois que Jackie Chan finalmente se livrou de seu contrato com Lo Wei, este pegou as sobras do último filme de Chan com a produtora Lo Wei Motion Picture Company (A Vingança do Dragão (The Fearless Hyena, 1979)), que o próprio Chan havia escrito e dirigido, e as juntou sem qualquer lógica, a não ser para ganhar um dinheiro extra.
Isso foi uma terrível injustiça por parte do produtor, Lo Wei. Jackie parou de trabalhar com Lo logo no início das filmagens. Então, Lo Wei editou trechos e cenas descartadas com Jackie do primeiro filme e colocou um ator sem fisionomia facial (o que significa que você nunca vê o rosto dele), para completar a sequência de luta final, e depois montou um novo filme.
No cinema, independentemente do país, existe uma tendência de tentar capitalizar o sucesso de um filme refilmando-o à exaustão. A abordagem mais comum é a sequência. Geralmente, as continuações nunca têm o mesmo desempenho que o original (existem exceções como: O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972), e O Mestre Invencível (Drunken Master, 1978)).
Quando o astro do filme original não aparece na sequência, isso normalmente é uma receita para o fracasso. No entanto, isso não se compara quando o ator principal abandona a produção (seja por morte ou outros problemas), mas mesmo assim a equipe continua com o projeto, tentando concluí-lo.
Isso aconteceu com filmes duvidosos como A Trilha da Pantera Cor-de-Rosa (Trail of the Pink Panther, 1982), e Jogo da Morte (Game of Death, 1978); quando empregaram técnicas fraudulentas como inserir cenas antigas, usar dublês e misturar o material original para criar um filme no estilo “Ed Wood”. Isso também aconteceria com A Saga do Dragão (Fearless Hyena II, 1983).
No entanto, houve um acordo que liberaria Jackie Chan de Lo Wei, mas infelizmente parte do acordo era que ele receberia todos os direitos sobre os filmes que Jackie fez para ele.
Com o sucesso de A Vingança do Dragão (The Fearless Hyena, 1979), era evidente que haveria uma sequência. Jackie Chan decidiu partir para os estúdios da Golden Harvest durante o início das filmagens. Em vez de abandonar a produção, Lo Wei obteve os direitos para produzir este filme, parte do infame acordo entre as Tríades, Jackie Chan, Lo e Wang Yu; e utilizou, então, filmagens antigas, dublês e misturou tudo com as cenas já finalizadas.
A Saga do Dragão (Fearless Hyena II, 1983), então, conta a história de dois primos que unem forças para vingar o assassinato a sangue frio de seus respectivos pais, mortos pelos dois arqui-inimigos Céu e Terra, que os perseguiam implacavelmente, dizimando toda a irmandade Yin-Yang.
Assim como no primeiro filme, o tutor de Lung (James Tien), quer que ele arrume um emprego. Isso leva a uma das melhores cenas do filme: Lung pede um emprego a Jaws Four (um ótimo papel de Dean Shek), em um restaurante e os resultados são semelhantes aos de seu emprego anterior com o outro irmão (um quadrigêmeo), o vendedor de caixões.
Em seguida, somos apresentados ao filho preguiçoso de Chan Chi Pei (Chan Wai-Lau, como o Unicórnio no primeiro filme), Ah Tung (Austin Wai). Ele é uma decepção para o pai (apesar de ter boas habilidades de inventor), e tem um conhecimento fraco de Kung-Fu. Ele também é amigo de um descontente local chamado Frog (Hon Gwok-Choi ou Kwok-Choi Hon). Frog é o alívio cômico do filme.
Após a infeliz e prematura perda de seu pai, o tio há muito perdido de Lung reaparece. Os dois prodígios do Kung-Fu, então, partem em uma luta mortal contra a dupla demoníaca. Isso leva a um final malfeito (aliás, nenhuma cena do filme é especialmente memorável), com novas cenas filmadas misturadas ao clímax de A Vingança do Dragão (The Fearless Hyena, 1979).
Os pontos positivos do filme são as engenhocas criadas por Ah Tung, e várias cenas com o verdadeiro Jackie Chan, especialmente a cena com Dean Shek no restaurante, e a cena de apostas envolvendo virar a camisa do avesso.
O maior problema é a abordagem fragmentada. Os dublês usados não se pareciam com Jackie, e não se moviam como ele. Obviamente, Lo Wei (o produtor) e Chan Chuen (o diretor), não se importaram com a continuidade e cometeram muitos erros de edição. Por exemplo, há uma boa cena de ação com fogo no filme, até que cortam a cena e mostram o dublê com a roupa de proteção completa, deixando a sequência quase arruinada.
É recomendado apenas para os fãs de artes marciais mais fanáticos.
Divirta-se!
Fontes: IMDb, The Movie Database (TMDB), fanart.tv, Lo Wei Motion Picture Company, Toei Company, Alpha Film & Video, Paramount Home Entertainment, PolyGram Video, Splendid Film, The Criterion Channel, Trans World Entertainment (TWE), Video Vogue.

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