Críticas │ Shaolin contra os 12 Homens de Aço (1976)

Shaolin contra os 12 Homens de Aço (1976)Shaolin Wooden Men

TWN/HKG/JPN, 1976. 1h30min. Classificação Indicativa: 12 anos. Direção: Chi-Hwa Chen. Roteiro: Hsin Chin. Elenco: Jackie Chan (Little Mute (como Jacky Chan)), Kang Chin (Prisoner (como Kang King)), Ping-Yu Chang (Five Plums (Shaolin Nun)), Kam Cheung (Restaurant Waiter (como Kam Chiang)), Chun-Erh Lung (Orchid (Restaurant Waitress (como Chun Lung))), Hsin Chin (Tavern Boss), Hsiao-Chung Li (Blind Abbot), Yi-Fei Chang (Abbot), Lu-Chiang Chao (Shaolin Temple Student), Kang Ho (Abbot), Hou-Chun Hsia (Monk), Kuang Hu (Monk), Li Hsu (como Li Hui).

Também conhecido pelo título brasileiro Dragão de Aço, Shaolin contra os Doze Homens de Aço; ou ainda pelas nomenclaturas em inglês de 36 Wooden Men, Shaolin Chamber of Death ou Shaolin Wooden Men… Young Tiger’s Revenge.

Após testemunhar o assassinato de seu pai por um mestre de kung-fu maligno, ‘Little Mute’ (ou ‘Pequeno Mudo’, ‘Mudinho’, ou ainda ‘Irmão Mudo’), interpretado por Jackie Chan, treina no Templo Shaolin em busca de vingança e recebe ensinamentos de diversos mestres, um dos quais age clandestinamente.

Jackie Chan (Little Mute) testemunha a morte brutal de seu pai pelas mãos habilidosas de um mestre do kung-fu com uma técnica mortal desconhecida (um artista marcial letal que está desenvolvendo uma técnica chamada ‘Rugido do Leão’, que usará para escapar do cativeiro).

Traumatizado, Jackie vai para um monastério Shaolin onde passa por um treinamento rigoroso (gradualmente se torna um mestre das artes marciais).

Assim, ele jura se tornar um monge Shaolin e vingar a morte do pai, mas logo descobre que é o rejeitado da turma (Jackie é ridicularizado pelos outros monges em treinamento por ser desajeitado e fraco): simboliza sentir-se deslocado, inadequado por ser diferente, vivenciando aquilo que envolve baixa autoestima e não pertencimento.

A mensagem central é de autoaceitação, autoconfiança, aprimoramento pessoal, superação da rejeição e a certeza de que a adequação e o lugar de pertencimento serão encontrados com o tempo, muito treinamento e esforço, permitindo o desenvolvimento da própria essência, que mostram uma intensa disciplina interior.

Quando se aventura em uma caverna proibida, ele encontra um antigo prisioneiro que costumava ser um grande mestre do kung-fu; estudar com ele pode ser proibido, mas é a única chance real que Jackie Chan tem.

Depois de fazer amizade com vários mestres Shaolin, cada um ensinando um estilo particular de kung-fu (bêbado, cobra escorregadia, (até o estilo assassino)…), Jackie Chan de repente se vê treinado o suficiente para enfrentar os ‘homens de madeira’ gigantes controlados por correntes, que todos os discípulos Shaolin precisam derrotar, para conseguir ser um especialista em artes marciais, ser ordenado monge e adquirir o corte de cabelo apropriado de um mestre, ou seja, raspar a cabeça.

Então, Jackie sai enfrentando os malfeitores, na tentativa de encontrar o assassino de seu pai. Mas, demonstra sua humildade e compaixão no final.

Excelente filme da fase inicial “séria” de Jackie Chan (antes dos filmes de sucesso das “comédias” de kung-fu: Jackie teria alcançado o estrelato alguns anos depois).

É um filme de artes marciais de Hong Kong, de 1976, produzido por Lo Wei, diretor e ator de cinema, mais conhecido por lançar as carreiras de Bruce Lee e Jackie Chan (Lo Wei dirigia a produtora Lo Wei Motion Picture Company, que operou até 1977/78, devido à drásticas medidas de redução de custos, em decorrência do contrato assinado por Jackie Chan com a Golden Harvest).

Após a morte de Bruce Lee em 1973, foi Lo Wei quem deu a Jackie Chan sua primeira oportunidade de brilhar como parte da onda da Bruceploitation (junção de “Bruce Lee” e “exploitation”, subgênero de filmes de “exploração” que surgiu após a morte da estrela de filmes de artes marciais Bruce Lee (“sósias” e “imitadores” de Lee)).

Shaolin contra os 12 Homens de Aço (Shaolin Wooden Men, 1976), foi o segundo filme de Jackie Chan para a Lo Wei Motion Picture Company (Lo Wei dirigiu Jackie em A Nova Fúria do Dragão / Shaolin Contra os Filhos do Sol (New Fist of Fury, 1976): sequência de A Fúria do Dragão (Fist of Fury, 1972), com Bruce Lee, que foi um dos maiores sucessos de Lo Wei. O filme fazia parte da tentativa de Lo de promover Jackie Chan como o novo Bruce Lee, e não continha nenhum dos elementos de comédia que se tornariam a marca registrada da carreira de Chan posteriormente); e o primeiro sob a direção de Chen Chi-Hwa (ou Chi-Hwa Chen).

O filme é estrelado por Jackie Chan, com um elenco de apoio composto por Kam Kong (ou Kang King, o mestre que está acorrentado na caverna), Chiang Kam (ou Kam Chiang, o garçom do restaurante), Doris Lung Chun-erh (ou Chun-Erh Lung, a garçonete do restaurante), Chang Ping-Yu (ou Ping-Yu Chang, a monja Shaolin), e uma figuração de um muito jovem, no início de carreira, Yuen Biao (renomado artista marcial, um dos principais nomes da “era de ouro” do cinema de Hong Kong, atuando com frequência ao lado de Jackie Chan e Sammo Hung).

Infelizmente, Jackie Chan não teve muita influência no desenvolvimento de seu personagem, que ainda estava à sombra de Bruce Lee; e foi considerado o segundo fracasso consecutivo de um filme estrelado por Jackie.

Mas, o filme é ótimo! O começo inclui a “apresentação inicial”, com Jackie lutando contra quatro monges, cada um com um estilo animal diferente.

Um dos maiores atrativos do filme é o seu enredo. A história é muito boa: é uma típica trama de vingança padrão no estilo kung-fu, com muitas boas surpresas, algumas reviravoltas interessantes no roteiro (uma trama dentro de outra), escrita com muita astúcia e inteligência.

O personagem de Jackie é um jovem mudo que está à procura do assassino de seu pai (ele presenciou o assassinato do pai quando era criança). O silêncio de Chan permite que o filme se concentre na pura força física e mental do novato discípulo.

Para isso, ele treina em um Templo Shaolin, especialmente com um mestre violento, que está acorrentado dentro de uma gruta secreta (!), atrás de uma cachoeira; e que ele ajuda levando alimentos e vinho, que rouba do mosteiro.

Logo após o triunfo do Pequeno Mudo sobre os ‘homens de madeira’ (ele grava as insígnias do dragão e do tigre em seus antebraços ao levantar um caldeirão em brasa, o que marca a abertura para a liberdade e o início de suas provações); o prisioneiro aperfeiçoa sua técnica ‘Rugido do Leão’ e a usa para escapar.

Ele retoma seu antigo papel como líder da infame “Gangue do Dragão Verde”, assassinando os homens responsáveis ​​por sua prisão.

É revelado que ele era um estudante de Shaolin que se tornou um renegado, sendo capturado e aprisionado. O abade-chefe de Shaolin se sentiu responsável pelos delitos do estudante renegado, então cegou a si mesmo e deixou o monastério Shaolin para viver como um eremita, nomeando um novo abade em seu lugar.

O monge eremita entrega um livro contendo o estilo de artes marciais “supremo”, e Pequeno Mudo domina esse estilo sob a tutela do atual abade-chefe.

Quando o prisioneiro fugitivo chega para destruir Shaolin, Pequeno Mudo está pronto para defendê-lo contra seu antigo instrutor.

As lutas de Jackie Chan são ótimas: destaco particularmente o treino que ele recebe da ‘freira’ (monja) Shaolin e seu estilo cobra escorregadia (feita em um tanque de óleo), sem mencionar o treinamento inventivo e realmente criativo que ele recebe do mestre aprisionado.

É claro que tudo culminará em uma luta final entre Jackie e o grande vilão, o ponto alto do filme.

As cenas com sapatos de chumbo (além de cortar lenha), e quando Chan leva vasilhames de água até o alto da montanha para despejá-la em barris, são impressionantes.

A coreografia do filme é de primeira qualidade, com sequências de lutas memoráveis, incluindo uma emocionante briga em um restaurante e o confronto final apoteótico.

As artes marciais cumprem o prometido: a parte da luta contra os ‘bonecos de madeira’ foi feita surpreendentemente bem, o filme sempre mantém o interesse, a história prende a atenção do começo ao fim, há a esperada construção para o grande embate final, e o desfecho da luta e as surpresas e revelações finais são fantásticas.

Neste filme, você terá o enorme prazer de ver o bem jovem Jackie Chan batalhando contra ‘uma dúzia’ (daí o título brasileiro) de ‘homens de madeira’ (daí o título em inglês) em treinamento: os bonecos autômatos, os “Homens de Madeira de Shaolin”, têm membros que se movem de forma imprevisível, mas ele persevera e proporciona um ótimo espetáculo para os fãs do gênero do kung-fu. Clássico!

Divirta-se!

Fontes: IMDb, The Movie Database (TMDB), fanart.tv, Lo Wei Motion Picture Company, Toei Central Films, All Seasons Entertainment, Shout! Factory, Sony Pictures Home Entertainment, Splendid Film.