História: 1970 – 1980 │ XXX – Adulto
Filmes Pornográficos:
Cinema XXX ou Cinema para Adultos ou Cinema Pornográfico ou Filmes Pornográficos ou Filmes Eróticos ou Filmes Adultos ou Filmes para Maiores de 18 Anos, também chamado de Cinema Pornô ou Filmes Pornô, são produções audiovisuais que apresentam sexo explícito (exibição clara de genitais e atos sexuais reais, sem simulação), com o objetivo principal de excitar, fascinar ou satisfazer o espectador, criado especificamente para a gratificação e satisfação sexual do público.
É o cinema que visa o estímulo da sexualidade humana. É um termo utilizado para produções dedicadas à exibição de filmes pornográficos, focadas no entretenimento sexual explícito (ou Hardcore).
Filmes Pornográficos representam fantasias sexuais e geralmente incluem material eroticamente estimulante, como nudez ou fetiches não-explícitos (Softcore), e relações sexuais reais (Hardcore). Frequentemente, os filmes pornográficos possuem roteiros mais simples, onde a história serve apenas como contexto para as cenas de sexo. Apresentam exibição de conteúdo com nudez total e cenas de sexo explícitas. Fazem parte da Indústria do Entretenimento Adulto, movimentando um mercado global bilionário.
Alguns filmes, como Garganta Profunda (Deep Throat, 1972), dirigido por Gerard Damiano; O Diabo na Carne de Miss Jones (The Devil in Miss Jones, 1973), também dirigido por Gerard Damiano; e Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door, 1972), dirigido por Artie Mitchell e Jim Mitchell, tornaram-se fenômenos culturais que levaram o gênero ao mainstream (filmes produzidos para o consumo de massa, caracterizados por sua ampla acessibilidade e apelo popular).
Cinema XXX: Garganta Profunda (Deep Throat, 1972)
Cinema XXX: Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door, 1972)
Cinema XXX: O Diabo na Carne de Miss Jones (The Devil in Miss Jones, 1973)
Filmes Eróticos:
Às vezes, faz-se uma distinção entre Filmes “Eróticos” e “Pornográficos”, com base no fato de que a última categoria contém sexualidade mais explícita, e se concentra mais na excitação do que na narrativa; a distinção é altamente subjetiva.
Filmes Pornográficos se distinguem do Cinema Erótico ou Pornô Soft ou Softcore, por serem mais diretos e focados na representação genital, enquanto o erotismo foca na sugestão e na sedução.
Diferenças do Cinema Pornográfico e do Cinema Erótico:
| Aspecto | Filme Pornográfico | Filme Erótico |
| Foco | Atos sexuais e genitais | Sedução, estética e fantasia |
| Exibição | Direta e sem tabus | Sutil, muitas vezes simulada ou sugerida |
| Classificação | Conteúdo adulto restrito | Classificação indicativa variável conforme a intensidade |
Cinema XXX: X-Rated: The Greatest Adult Movies of All Time (2015)
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História:
Os Filmes para Adultos surgiram quase simultaneamente ao nascimento do cinema comercial. Enquanto a primeira exibição pública dos irmãos Lumière ocorreu em dezembro de 1895, produções com teor sexual já eram registradas nos anos seguintes.
Filmes com conteúdo erótico são produzidos desde a invenção do Cinema, na década de 1880. Os primeiros cinquenta anos do Cinema Adulto, contrastam com a variedade e a explicitude dos filmes franceses, com as produções americanas, menos explícitas, mas tecnicamente superiores.
Na Europa, desde os primórdios do cinema, mulheres e homens faziam sexo na tela. Nos Estados Unidos, o código de produção de 1930, assim como, os valores puritanos, deram origem a filmes de striptease com seios à mostra.
À medida que os filmes adultos americanos se tornaram mais populares, passaram a mostrar ainda menos; no final da década de 1940 e na década de 1950, o striptease e a dança com leques deram origem a filmes de mulheres lutando, e mulheres em situação de submissão, frequentemente com pouca “pele” à mostra.
A produção desses filmes era lucrativa e diversos produtores se especializaram neles. Vários grupos da sociedade consideravam tais representações imorais, rotulando-as de “pornográficas”, e tentando suprimi-las sob leis de obscenidade, com diferentes graus de sucesso.
Esses filmes continuaram a ser produzidos e, inicialmente, só podiam ser distribuídos por canais clandestinos.
Como a exibição desses filmes carregava um estigma social, eles eram vistos apenas em bordéis, cinemas adultos, despedidas de solteiro, residências particulares, clubes privados e cinemas noturnos.
Primeiros Anos: Antes de 1920
Considerado um dos primeiros registros de erotismo no cinema, O Despir da Noiva / O Deitar da Noiva / A Noiva vai para a Cama (Coucher de la mariée, 1896), curta-metragem francês de apenas 4 minutos, dirigido por Albert Kirchner, mostrava uma mulher se despindo (um striptease), para o marido.
Em 1896, o filme O Beijo de May Irwin / O Beijo de John C. Rice e May Irwin / O Beijo de Rice/Irwin / A Viúva Jones (The Kiss / The John C. Rice-May Irwin Kiss / The May Irwin Kiss / The Rice-Irwin Kiss / The Widow Jones, 1896), produzido pela Edison Manufacturing Company (empresa fundada por Thomas Edison), apresentou o primeiro beijo em uma tela. Tratava-se de um loop de 47 segundos, com um close de um casal se acariciando, seguido por um breve “selinho”. A cena do beijo foi denunciada como chocante e obscena pelos primeiros espectadores de cinema e levou a Igreja Católica Romana a pedir censura e reforma moral, pois beijar em público na época poderia resultar em processo judicial.
Considera-se que o filme pornográfico nasceu na França, praticamente ao mesmo tempo que o meio cinematográfico, mas foi em Buenos Aires que a produção clandestina desses filmes, conhecidos como “stag film” (gênero histórico de filmes curtos, com sexo explícito, produzidos clandestinamente entre as décadas de 1910 e 1960), ou “filmes para fumantes”, foi capitalizada.
O Sartório / O Sátiro (El Sartorio / El Satario / The Satyr, c. 1907), é frequentemente citado como um dos primeiros filmes a apresentar sexo explícito, tendo sido produzido na Argentina. Esses filmes não se destinavam ao consumo local ou popular, mas eram “entretenimento sofisticado para o deleite da classe abastada da Europa”.
No início do século XX, qualquer filme que contivesse beijos ou cenas de desnudamento, era catalogado como pornográfico pelas autoridades da época.
Durante as primeiras décadas, esse tipo de conteúdo circulava de forma marginal e clandestina, longe dos grandes circuitos comerciais.
O gênero só ganhou contornos de “indústria” e alcançou grandes públicos na década de 1970, com o lançamento de clássicos, como: Garganta Profunda (Deep Throat, 1972).
Supressão das Décadas de 1920 a 1940
Filmes Pornográficos eram comuns na era do Cinema Mudo, na década de 1920, e frequentemente exibidos em bordéis. Logo, “stag films” ou “blue films”, como eram chamados, foram produzidos clandestinamente por amadores durante muitos anos a partir da década de 1940.
O processamento dos filmes exigia tempo e recursos consideráveis, com pessoas usando suas banheiras para lavá-los e revelá-los, quando as instalações de processamento (frequentemente, ligadas ao crime organizado), não estavam disponíveis. Os filmes eram então distribuídos privadamente ou por vendedores ambulantes, mas qualquer pessoa flagrada assistindo ou possuindo-os corria o risco de ser presa.
Década de 1950: Filmes Caseiros ou Home Movies
O período pós-guerra testemunhou desenvolvimentos tecnológicos que estimularam ainda mais o crescimento de um mercado de massa e da produção cinematográfica amadora, particularmente a introdução dos formatos de filme de 8 mm e Super-8, populares no mercado de filmes caseiros.
Surgiram empreendedores para atender à demanda. Na Grã-Bretanha, na década de 1950, o influente fotógrafo, George ‘Harrison Marks’ (pioneiro na fotografia de nus femininos, nos anos 50; fundou a revista Kamera, em 1957), produziu filmes considerados ousados e que hoje seriam descritos como “softcore”.
Em 1958, como um desdobramento de suas revistas, Marks começou a fazer curtas-metragens para o mercado de 8 mm, com suas modelos se despindo e posando de topless, popularmente conhecidos como “glamour home movies”. Para Marks, o termo “glamour” era um eufemismo (figura de linguagem utilizada para suavizar expressões desagradáveis, chocantes ou indelicadas), para modelagem/fotografia de nus.
Década de 1960: Europa e Estados Unidos
A partir de 1961, Lasse Braun (seu nome de nascimento era Alberto Ferro: influente diretor e produtor de cinema, frequentemente chamado de “O Pai da Pornografia Moderna”), foi pioneiro em produções coloridas de alta qualidade que, inicialmente, eram distribuídas graças aos privilégios diplomáticos de seu pai, o diplomata italiano Renato Ferro.
Durante o início de sua trajetória no cinema, Lasse Braun, chegou a utilizar os privilégios diplomáticos e os veículos oficiais do pai para contrabandear materiais pornográficos e distribuir seus próprios filmes pela Europa, evitando a censura da época.
Braun conseguiu acumular fundos para suas produções luxuosas com o lucro obtido com os chamados “loops”, filmes pornográficos de dez minutos que ele vendia para Reuben Sturman (empresário americano conhecido como o “maior distribuidor de materiais pornográficos do mundo”, durante o Século XX; apelidado de “Walt Disney do Pornô”, ele dominou a indústria por décadas, através de um império que incluía centenas de empresas e lojas de varejo), que os distribuía para 60.000 cabines de peep show americanas (estabelecimentos de show adulto, onde o cliente assiste a uma performance, imagem ou apresentação erótica através de uma cabine ou vidro).
Braun estava sempre viajando e fez seus filmes pornográficos em diversos países, incluindo Espanha, França, Suécia, Dinamarca e Holanda.
Na década de 1960, as atitudes sociais e judiciais em relação à representação explícita da sexualidade começaram a mudar. Em 1969, a Dinamarca tornou-se o primeiro país a abolir todas as leis de censura permitindo a Pornografia, incluindo a Pornografia Explícita. Houve, então, uma explosão de pornografia produzida comercialmente.
Agora que ser pornógrafo era legal, não faltaram empresários que investiram em instalações e equipamentos capazes de produzir um produto mais barato, mas de qualidade, em massa. Grandes quantidades dessa nova pornografia, tanto revistas quanto filmes, precisavam ser contrabandeadas para outras partes da Europa, onde eram vendidas “por baixo do balcão” ou (às vezes) exibidas em cinemas específicos “somente para membros / members only”.
Nos Estados Unidos, os produtores de Filmes Pornográficos formaram a Adult Film Association of America, em 1969, após o lançamento de Blue Movie (Blue Movie, 1969), de Andy Warhol (um dos artistas mais influentes do século XX, e o principal nome do movimento “Pop Art” (seu conceito central é a aproximação entre a arte e o cotidiano, rompendo as barreiras entre a “alta cultura erudita” e a “cultura de massa”); famoso por suas obras que utilizam a técnica da serigrafia (também conhecida como silk screen, processo de impressão onde a tinta é transferida para um suporte através de uma tela esticada em um quadro), para repetir imagens exaustivamente; criou imagens vibrantes de celebridades, como: Marilyn Monroe, Elvis Presley e Elizabeth Taylor; é o autor da “profecia” de que, no futuro, “todos seriam famosos por 15 minutos”; fundou um estúdio em Nova York, chamado The Factory: mais do que um local de trabalho, era um ponto de encontro de intelectuais, drag queens, dramaturgos e famosos de Hollywood), para lutar contra a censura e defender a indústria contra acusações de obscenidade.
Década de 1970: Cinemas para Adultos e Cabines de Cinema nos Estados Unidos
Na década de 1970, houve uma atitude judicial mais tolerante em relação a filmes não “tradicionais”. Os cinemas convencionais geralmente não exibiam nem mesmo filmes softcore, o que levou ao surgimento de Cinemas Adultos nos Estados Unidos e em muitos outros países.
Também houve uma proliferação de “Cabines de Cinema”, operadas por moedas em Sex Shops, que exibiam “loops” (gravações contínuas reproduzidas sem interrupções), de filmes pornográficos de 8 mm (um loop contínuo, como uma fita cassete de vídeo e áudio, “sem fim”).
Em 1969, Blue Movie (Blue Movie, 1969), de Andy Warhol, foi o primeiro filme erótico adulto a retratar sexo explícito a receber ampla distribuição nos cinemas dos Estados Unidos. O filme foi um marco na Era de Ouro do Pornô, e, segundo Warhol, uma grande influência na produção de Último Tango em Paris (Last Tango in Paris, 1972), dirigido por Bernardo Bertolucci, um drama erótico internacionalmente controverso, estrelado por Marlon Brando e Maria Schneider, e lançado alguns anos depois de Blue Movie (Blue Movie, 1969).
O primeiro filme explicitamente pornográfico, com um enredo que recebeu um lançamento geral nos cinemas dos EUA, é geralmente considerado o longa-metragem de 1h11min., Mona: The Virgin Nymph (Mona: The Virgin Nymph, 1970), também conhecido apenas como Mona, de 1970, dirigido por Howard Ziehm (que criou também o filme cult de orçamento relativamente alto, hardcore/softcore (dependendo do lançamento), de 1974, Flesh Gordon (Flesh Gordon, 1974)).
O filme de 1971, Meninos na Areia (Boys in the Sand, 1971), dirigido por Wakefield Poole, representou uma série de inovações pioneiras na pornografia. Como o primeiro filme pornográfico gay amplamente disponível, foi o primeiro a incluir créditos na tela para seu elenco e equipe (embora em grande parte sob pseudônimos), a parodiar o título de um filme convencional (neste caso, Os Rapazes da Banda (The Boys in the Band, 1970), de William Friedkin, futuro diretor dos sucessos: Operação França (The French Connection, 1971), e O Exorcista (The Exorcist, 1973)), e, depois do filme de 1969, Blue Movie (Blue Movie, 1969), de Andy Warhol, um dos primeiros a ser resenhado pelo The New York Times (um dos jornais mais influentes e prestigiados do mundo).
Outros Filmes Pornográficos americanos notáveis da década de 1970, incluem: Garganta Profunda (Deep Throat, 1972), Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door, 1972), O Diabo na Carne de Miss Jones (The Devil in Miss Jones, 1973), The Opening of Misty Beethoven (The Opening of Misty Beethoven, 1976), e Debbie Does Dallas (Debbie Does Dallas, 1978). Estes foram filmados em película e exibidos em cinemas “convencionais”.
Nos Estados Unidos, o caso Miller vs. Califórnia, foi um importante processo judicial de 1973 (julgamento histórico da Suprema Corte dos Estados Unidos, que redefiniu a definição legal de obscenidade; o caso estabeleceu que materiais obscenos não gozam de proteção da Primeira Emenda (liberdade de expressão), e criou o chamado “Teste de Miller”, para determinar o que pode ser proibido pelo Estado).
O caso estabeleceu que a obscenidade não era legalmente protegida, mas também estabeleceu, então, o “Teste de Miller”, um teste de três critérios para determinar a obscenidade (que não é legal), em oposição à indecência (que pode ou não ser legal).
O processo começou quando Marvin Miller (proprietário de uma empresa de venda por correspondência especializada em filmes e livros pornográficos), foi condenado por violar uma lei da Califórnia ao conduzir uma campanha de envio em massa de folhetos com imagens sexualmente explícitas para anunciar materiais adultos.
O Teste de Miller: para que um material seja considerado legalmente obsceno e, portanto, passível de censura ou punição criminal, ele deve atender a três critérios simultâneos: Interesse Pruriente: o cidadão médio, aplicando os padrões da comunidade local, consideraria que o trabalho, em seu conjunto, apela para um interesse lascivo (excessivo) em sexo; Ofensividade Patente: o trabalho retrata ou descreve, de forma claramente ofensiva, conduta sexual especificamente definida pela lei estadual aplicável; Falta de Valor Sério: o trabalho, tomado como um todo, carece de valor literário, artístico, político ou científico, sério.
O julgamento teve impacto e importância, pois permitiu que cada localidade aplicasse seus próprios padrões morais, em vez de um padrão nacional único; embora facilite a repressão à pornografia pesada, o teste protege obras que tenham qualquer mérito intelectual ou artístico real, mesmo que contenham nudez; mais tarde, foi esclarecido que, embora a venda e distribuição possam ser proibidas pelo Teste de Miller, a posse de material obsceno para uso privado em casa, é geralmente protegida pelo Direito à Privacidade.
O Teste de Miller continua sendo o padrão legal oficial nos Estados Unidos para determinar o que constitui obscenidade. Estabelecido, então, pela Suprema Corte no caso Miller vs. Califórnia, em 1973, ele define se uma expressão é protegida ou não pela Primeira Emenda da Constituição Americana, ou seja, pela Liberdade de Expressão.
Era de Ouro do Pornô:
A Era de Ouro do Cinema Pornográfico, foi um período de 15 anos (1969 – 1984), em que filmes sexualmente explícitos receberam atenção positiva de cinemas mainstream, críticos de cinema e do público em geral.
Na década de 1970, durante a Era de Ouro do Pornô, os Filmes Pornográficos foram semi-legitimados, a ponto de atores não conhecidos por participações em tais produções integrarem o elenco (embora raramente participassem das cenas explícitas).
Na década de 1980, a pornografia cinematográfica, em vídeo doméstico, alcançou uma distribuição mais ampla.
A ascensão da internet, no final da década de 1990 e início dos anos 2000, mudou a forma como os filmes pornográficos eram distribuídos, complicando os regimes de censura em todo o mundo e as ações judiciais por “obscenidade”.
Filmes Pornográficos foram produzidos no início do Século XX, como filmes “de despedida de solteiro”, destinados a serem exibidos em encontros masculinos ou em bordéis.
Nos Estados Unidos, a desaprovação social era tão grande que os homens que neles atuavam, às vezes, tentavam esconder o rosto por meio de subterfúgios, como um bigode falso (usado em Uma Carona Grátis (A Free Ride / A Grass Sandwich, 1915); acredita-se ser o filme pornográfico mais antigo ainda existente produzido nos Estados Unidos; num momento de empolgação, o bigode falso do homem cai, e ao colocá-lo de volta, ele cobre o rosto para evitar ser reconhecido), ou mesmo usando máscaras.
Pouquíssimas pessoas foram identificadas como participantes desses filmes, e os atores eram frequentemente considerados prostitutas ou criminosos.
Diz-se que Candy Barr, nascida Juanita Dale Slusher, apareceu em um dos filmes pornográficos underground mais famosos e amplamente divulgados dos primórdios da pornografia, Espertinho (Smart Alec, 1951). Devido à ampla distribuição underground e à popularidade do filme, Candy Barr, foi chamada de “a primeira estrela pornô”, pela mídia.
No final da década de 1960, nos Estados Unidos, havia uma produção semiclandestina regular de filmes pornográficos em pequena escala. Depois de responderem a anúncios de jornais de Nova York, em busca de modelos nus, os futuros astros, Eric Edwards e Jamie Gillis, entre outros, apareceram nesses filmes, que eram “loops” mudos em preto e branco de baixa qualidade, muitas vezes destinados à exibição em cabines de Peep Show (show erótico onde o espectador observa uma pessoa se despindo ou realizando atos sexuais através de um pequeno orifício, lente ou vidro), nos considerados “fliperamas adultos”, ao redor da Times Square (localizado em Midtown Manhattan, no encontro da Broadway com a Sétima Avenida; a região era o epicentro da decadência urbana de Nova York, marcada por uma mistura de perigo, entretenimento adulto e crise econômica; a área era dominada por cinemas pornô, lojas de artigos eróticos e “peep shows”; a Rua 42 era considerada o quarteirão mais perigoso da América).
O produto da indústria pornográfica de Nova York, era distribuído nacionalmente pela figura do submundo. Robert DiBernardo (também conhecido como “DiB”, foi um influente gângster ítalo-americano da família criminosa Gambino; ele era amplamente considerado o maior magnata da indústria de filmes adultos e pornografia comercial nos Estados Unidos, durante as décadas de 1970 e 1980), recomendou a produção de grande parte dos filmes da chamada “Era de Ouro”, feitos na cidade de Nova York.
Posteriormente, em outubro de 1970, foi lançado A História dos Filmes Pornográficos (A History of the Blue Movie, 1970), um estudo documental sobre pornografia, dirigido por Alex deRenzy, que apresentou uma compilação de curtas-metragens de filmes pornográficos antigos, datados de 1915 a 1970. O crítico de cinema, Roger Ebert, analisou o filme, e observou que o narrador nos fala “solenemente sobre a arte cômica dos primeiros filmes pornográficos”.
Embora não tenha sido o primeiro filme adulto a obter um amplo lançamento nos cinemas dos EUA, nenhum havia realizado um público massivo e mudou a atitude da sociedade em relação à pornografia, como Garganta Profunda (Deep Throat, 1972).
A Era de Ouro do Pornô continua em 1972, com Garganta Profunda (Deep Throat, 1972). O filme estreou oficialmente no World Theatre (também conhecido como New Mature World Theatre), na cidade de Nova York, em 12 de junho de 1972, e foi anunciado no The New York Times (um dos jornais mais influentes e prestigiados do mundo), com o título censurado de Garganta (Throat, 1972).
Garganta Profunda (Deep Throat, 1972), tornou-se muito lucrativo e um sucesso de bilheteria (os rendimentos exatos são alvo de grande debate histórico, devido ao seu financiamento pelo crime organizado e à falta de registros oficiais na época; o valor mais citado em meios populares (diz a “lenda”), é de US$ 600 milhões; no entanto, especialistas e o FBI (Federal Bureau of Investigation), consideram esse número um exagero ou fruto de lavagem de dinheiro, já que implicaria em um volume de público irreal para o período; investigações federais americanas sugerem que o filme tenha arrecadado cerca de US$ 100 milhões (estimativa do FBI); registros mais conservadores (dados de bilheteria documentados), listam uma bilheteria doméstica (nos EUA), de aproximadamente US$ 45 milhões; o filme custou apenas US 25.000 para ser produzido; a protagonista, Linda Lovelace, recebeu apenas US$ 1.250, pelo seu trabalho no filme).
Independentemente do número exato, é considerado um dos filmes mais lucrativos da história, em relação ao seu custo inicial.
Em seu segundo ano de lançamento, Garganta Profunda (Deep Throat, 1972), quase entrou no top 10 da Variety (revista de cinema, considerada a “bíblia” da indústria do entretenimento; é uma das publicações mais influentes e respeitadas do mundo na cobertura de cinema).
No entanto, nessa época, era frequentemente exibido em sessão dupla com o mais bem-sucedido dos três filmes eróticos adultos lançados na era de 1972/1973, O Diabo na Carne de Miss Jones (The Devil in Miss Jones, 1973), que superou Garganta Profunda (Deep Throat, 1972), enquanto deixou Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door, 1972), em terceiro lugar.
Alguns expressaram a opinião de que os filmes pornográficos continuariam a expandir seu acesso aos cinemas dos EUA, e que a indústria cinematográfica convencional gravitaria em direção à influência da pornografia.
Vários filmes da Era de Ouro fizeram referência a títulos de filmes convencionais, incluindo: Flesh Gordon (Flesh Gordon, 1974), referência à Flash Gordon, um dos heróis mais icônicos da ficção científica; Alice no País das Maravilhas Eróticas (Alice in Wonderland: An X-Rated Musical Fantasy, 1976), referência à Alice no País das Maravilhas (também adaptado como a animação clássica da Disney), de Lewis Carroll (pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson); The Opening of Misty Beethoven (The Opening of Misty Beethoven, 1976), baseado na peça teatral Pygmalion (ou Pigmaleão), de George Bernard Shaw; e Através do Espelho (Through the Looking Glass, 1976), baseado livremente no livro Alice Através do Espelho / Alice no País do Espelho / Alice no País dos Espelhos / Alice Através do Espelho e o Que Ela Encontrou Lá (ou “Por Lá”) (Through the Looking-Glass, and What Alice Found There), também de Lewis Carroll.
Um influente artigo de cinco páginas na revista The New York Times Magazine (suplemento semanal de domingo, que acompanha a edição impressa do jornal The New York Times), em 1973, descreveu as características da pornografia sendo discutida publicamente por celebridades e levada a sério pelos críticos, um desenvolvimento referido por Ralph Blumenthal (premiado jornalista investigativo e escritor norte-americano), do The New York Times, como “Porno Chic”.
O termo “Era de Ouro do Pornô” ou “Porno Chic”, refere-se, então, ao período de 15 anos (1969 – 1984), da pornografia comercial americana, no qual filmes sexualmente explícitos receberam atenção positiva dos cinemas convencionais, críticos de cinema e do público em geral.
Esse período americano, que posteriormente se tornou internacional, começou em 1969, com o lançamento nos cinemas do filme Blue Movie (Blue Movie, 1969), dirigido por Andy Warhol, e, um ano mais tarde, com o lançamento do filme Mona: The Virgin Nymph (Mona: The Virgin Nymph, 1970), produzido por Bill Osco.
Estas obras foram os primeiros filmes eróticos adultos a retratar sexo explícito a receber ampla distribuição nos cinemas dos Estados Unidos. Ambos influenciaram a produção de filmes, como: Garganta Profunda (Deep Throat, 1972), estrelado por Linda Lovelace, e dirigido por Gerard Damiano; Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door, 1972), estrelado por Marilyn Chambers, e dirigido pelos irmãos Mitchell; O Diabo na Carne de Miss Jones (The Devil in Miss Jones, 1973), também dirigido por Damiano; e The Opening of Misty Beethoven (The Opening of Misty Beethoven, 1976), de Radley Metzger (sob o pseudônimo de Henry Paris), uma “joia da coroa” da Era de Ouro, segundo a premiada autora Toni Bentley (frequentemente cita a obra como o ápice desse período, devido à sua alta qualidade de produção, roteiro e estética; o filme é reconhecido por ter elevado o gênero ao patamar do cinema mainstream, em termos de narrativa, cenários e trilha sonora).
Após menções de Johnny Carson (um dos maiores nomes da história da televisão americana, conhecido mundialmente como o apresentador que definiu o formato dos programas de entrevistas modernos), em seu popular programa, The Tonight Show (Johnny Carson apresentou o programa na rede NBC (National Broadcasting Company: uma das principais e mais antigas redes de televisão aberta dos Estados Unidos), por 30 anos (de 1962 a 1992), tornando-se uma presença constante nas noites dos Estados Unidos), e de Bob Hope (um dos comediantes e atores mais icônicos dos Estados Unidos, conhecido por sua carreira no rádio, televisão e cinema), na TV também, Garganta Profunda (Deep Throat, 1972), alcançou grande sucesso de bilheteria, apesar de ser “rudimentar” para os padrões convencionais.
Em 1973, o filme mais bem-sucedido, mas ainda de baixo orçamento, O Diabo na Carne de Miss Jones (The Devil in Miss Jones, 1973), foi o sétimo filme de maior sucesso do ano, e foi bem recebido pela mídia, incluindo uma crítica favorável do crítico de cinema Roger Ebert (crítico de cinema mais influente e famoso do mundo; ele é amplamente reconhecido por ter sido o primeiro crítico a ganhar o Prêmio Pulitzer de Crítica, em 1975).
As manifestações da pornografia sendo discutidas publicamente por celebridades e levadas a sério pelos críticos (um desenvolvimento referido por Ralph Blumenthal, do The New York Times, como “Porno Chic”), começou pela primeira vez na cultura americana moderna.
Tornou-se óbvio que o retorno de bilheteria de filmes eróticos adultos de baixíssimo orçamento, poderia financiar novos avanços nos valores técnicos e de produção do Cinema Pornô, permitindo que ele competisse com os filmes de Hollywood. Havia a preocupação de que, sem controle, a vasta lucratividade desses filmes levasse Hollywood a ser influenciada pela pornografia.
A liberdade criativa, orçamentos e pagamentos maiores para filmes e uma “mentalidade hollywoodiana”, foi desenvolvida para esse período.
Antes disso, milhares de leis e decretos estaduais e municipais dos EUA, contra a obscenidade, consideravam crime a participação na criação, distribuição ou consumo de filmes obscenos. Interpretações multijurisdicionais de obscenidade, tornaram esses filmes passíveis de processo e responsabilidade criminal, restringindo, assim, sua distribuição e potencial de lucro.
Feministas radicais e culturais, juntamente com grupos religiosos e conservadores, atacaram a pornografia, enquanto outras feministas eram pró-pornografia, como Camille Paglia (influente acadêmica, crítica cultural e ensaísta americana, conhecida por suas visões provocativas sobre feminismo, arte, sexo e cultura ocidental), que definiu o que ficou conhecido como Feminismo Sexo-Positivo, em sua obra Personas Sexuais: Arte e Decadência de Nefertite a Emily Dickinson / Sexual Personae: Arte e Decadência na Cultura Ocidental (Sexual Personae: Art and Decadence from Nefertiti to Emily Dickinson, 1990).
Camille Paglia e outras feministas sexo-positivas ou pró-pornografia, aceitaram a pornografia como parte da Revolução Sexual, com seus temas sexuais libertários, como a exploração da bissexualidade e do swing, livres de interferência do governo. O endosso de críticas femininas, foi essencial para a renovação da breve era do “Porno Chic”.
Após o caso Miller vs. Califórnia (1973), que descobriu na fragmentação da distribuição no mercado cinematográfico americano e na inviabilização da bilheteria para filmes pornográficos, uma breve incursão comercial na produção de filmes eróticos com valores artísticos e cinematográficos mais elevados, ocorrida entre 1972 e 1973, não se sustentou.
A produção se concentrou na cidade de Nova York, onde se defendeu amplamente que o crime organizado controlava todos os aspectos do negócio e impedia a entrada de concorrentes. Com seus recursos financeiros relativamente modestos, a previsão de entrada do crime organizado em Hollywood, não se materializou.
Os Filmes Pornográficos continuaram sendo um negócio altamente lucrativo e prosperaram durante o restante da década de 1970, levando à popularização do conceito de “estrelas” pornô.
O ostracismo sofrido pelos atores pornô fez com que eles quase invariavelmente usassem pseudônimos. Ser exposto como tendo atuado em filmes pornográficos, geralmente acabava com a esperança de um ator de seguir carreira no cinema convencional.
Em geral, após 1973, os filmes eróticos adultos passaram a imitar os enredos e convenções do cinema convencional, apenas para enquadrar as representações da atividade sexual e preparar uma defesa de “mérito artístico”, contra possíveis acusações de obscenidade.
A indústria de filmes adultos ficou estagnada no nível de “sucessos de um dia”, finalizada por participantes contratados por apenas um único dia.
A tecnologia precária da época fazia com que filmar uma cena simples muitas vezes levasse horas, devido à necessidade de configurar a câmera laboriosamente para cada tomada.
Performances repetidas e prolongadas podiam ser recorrentes sob demanda a qualquer momento ao longo do dia, o que era um problema para homens sem acesso a medicamentos modernos.
Embora seus orçamentos fossem geralmente muito baixos, existe um nível de avaliação subcultural pelos filmes daquela época, que foram produzidos por profissionais, alguns dos quais tinham outros empregos.
Vários eram atores que conseguiam lidar com diálogos quando necessário. No entanto, alguns participantes zombaram da ideia de que o que se qualificava como “atuação”.
No início da década de 1980, o surgimento do vídeo doméstico levou ao fim a era em que as pessoas iam aos cinemas para ver sexo filmado em filme de 35 mm, com valores de produção, culminando, em última análise, com o surgimento da internet, na década de 1990.
Com a crescente disponibilidade de videocassetes para visualização privada, na década de 1980, o vídeo suplantou o filme, como meio de distribuição preferido para a pornografia, que rapidamente voltou a ser de baixo orçamento, pondo fim, assim, à Era de Ouro.
Cinema XXX: When Rated X Ruled the World (2004)
A Era de Ouro do Pornô, entre 1969 e 1984, foi dividida em “duas ondas”: a primeira onda (a era do “Porno Chic”), entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1970, e a segunda onda, entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 1980.
Dentre os principais atores e atrizes de Filmes Pornográficos, da primeira parte da “Era de Ouro”, a era do “Porno Chic”, marcada por filmes que alcançaram o grande público e transformaram atrizes em celebridades mundiais, temos:
As atrizes pornográficas mais famosas dessa década incluem:
Linda Lovelace: tornou-se um ícone cultural, após o filme: Garganta Profunda (Deep Throat, 1972), o maior sucesso comercial do gênero na época.
Marilyn Chambers: ganhou fama mundial, com o filme: Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door, 1972); antes disso, era conhecida como a “garota do sabão Ivory (Ivory Snow)”, o que gerou grande polêmica e publicidade, quando sua carreira no cinema adulto foi revelada.
Georgina Spelvin: estrelou O Diabo na Carne de Miss Jones (The Devil in Miss Jones, 1973), considerado um dos filmes mais artisticamente ambiciosos da década.
Cicciolina (Ilona Staller): atriz húngaro-italiana que se tornou famosa no início dos anos 70 e, mais tarde, ganhou notoriedade mundial ao ser eleita para o Parlamento Italiano.
Vanessa del Rio: foi uma das primeiras grandes estrelas de origem latina na indústria, começando sua carreira em meados da década de 70.
Seka: conhecida como a “Vênus de Platina”, foi uma das atrizes mais populares do final dos anos 70, mantendo o estrelato até a década seguinte.
Brigitte Lahaie: a mais famosa estrela do cinema adulto francês da década de 70, posteriormente migrando para o cinema convencional.
Outros nomes relevantes que iniciaram ou consolidaram suas carreiras nesse período, foram: Kay Parker, Gloria Leonard, Veronica Hart, Annette Haven, Bambi Woods, Jesie St. James, C. J. Laing, Constance Money, Desiree Cousteau, Juliet Anderson (também conhecida como “Aunt Peg” (Tia Peg)), Lesllie Bovee, Terri Hall, Kelly Nichols, Jean Jennings, Kristine DeBell, Arcadia Lake, Susan McBain, Annie Sprinkle, Carol Connors, Candida Royalle, Mary Stuart, Jennifer Welles, Linda Wong, Bonnie Holiday, Sharon Thorpe, Serena, Abigail Clayton, Desiree West, Shirley Peters, Kitten Natividad, Suzannah French, Amber Hunt, China Leigh, Marlene Willoughby, Crystal Sync, Alexandria Case, Beth Anna (Joanna Miquel), Hillary Summers, Patti Sebring, Jennifer Jordan, Tiffany Clark, Copper Penny, Ariel Lee, Darby Lloyd Rains, Nancy Suiter, Andrea True (que também teve sucesso na Disco Music), a dinamarquesa Bodil Joensen, e Samantha Fox (atriz pornô americana; não confundir com a cantora britânica de mesmo nome).
Marilyn Chambers, nome artístico de Marilyn Ann Briggs, foi uma ex-atriz pornográfica norte-americana, modelo, cantora e atriz de filmes convencionais, que ficou famosa por protagonizar o que foi considerado um dos primeiros filmes adultos com uma história: Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door, 1972), de 1972.
Em votação da revista americana AVN (Adult Video News), considerada a principal publicação comercial da indústria do entretenimento adulto, realizada em 1999, a premiada atriz Marilyn Chambers, foi eleita a 6ª Melhor Atriz Pornô, na lista das 50 maiores estrelas adultas de todos os tempos.
Durante o início de sua carreira como modelo, seu trabalho mais notável foi como a “garota do sabão Ivory”, na caixa do sabão Ivory Snow, posando como uma mãe segurando um bebê.
Em 1970, ela se mudou de Westport para a cidade de São Francisco, onde teve vários empregos, incluindo modelo de topless e dançarina exótica. Em 1972, Chambers viu um anúncio no jornal para um teste de elenco, que, posteriormente, descobriu que era para um filme pornográfico, que se chamaria Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door, 1972).
Marilyn Chambers estava prestes a sair da audição, quando os produtores Artie e Jim Mitchell, notaram sua semelhança com a atriz Cybill Shepherd. Eles a convidaram para subir ao seu escritório e contaram-lhe o enredo do filme. Marilyn estava muito hesitante em aceitar um papel em um filme pornô, temendo que isso pudesse arruinar suas chances de entrar no mercado convencional (depois do sucesso do filme, ela conseguiu papéis também no cinema tradicional, como, por exemplo, Enraivecida – Na Fúria do Sexo / Enraivecida na Fúria do Sexo (Rabid, 1977), de David Cronenberg).
Mas, ela se sentiu atraída pela fantasia da história e decidiu arriscar, sob a condição de receber um salário considerável e uma porcentagem da bilheteria (tornando-a a atriz pornô mais bem paga dos Estados Unidos, na época).
Marilyn Chambers era relativamente desconhecida no meio artístico. No entanto, o filme Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door, 1972), a tornou uma grande estrela; e juntamente com Garganta Profunda (Deep Throat, 1972), lançado no mesmo ano, e O Diabo na Carne de Miss Jones (The Devil in Miss Jones, 1973), inaugurou o que é comumente conhecido como: a era “Porno Chic”.
Cinema XXX: Inside Marilyn Chambers (1975)
Annette Haven é uma ex-atriz pornô norte-americana, que se tornou uma das figuras mais conhecidas da indústria de filmes adultos, durante as décadas de 1970 e 1980.
Annette é considerada uma das estrelas da “Era de Ouro do Pornô” ou “Porn Chic”, período em que os filmes adultos tinham orçamentos maiores e eram exibidos em cinemas convencionais.
Ela é conhecida por atuar em filmes que focavam mais na narrativa e atuação, como: V – The Hot One (‘V’: The Hot One, 1978). Além de atuar, Haven também trabalhou como diretora e roteirista, demonstrando, assim, sua versatilidade.
Na época, ela se destacava por manter uma imagem mais sofisticada e elegante, o que a ajudou a ganhar reconhecimento fora do nicho adulto, incluindo aparições em produções de Hollywood e programas de TV tradicionais.
E, os atores que mais se destacaram, foram: John C. Holmes (também conhecido pelo seu personagem favorito, “Johnny Wadd”), Harry Reems, John Leslie, Paul Thomas, Jamie Gillis, Joey Silvera, Eric Edwards, Robert Kerman (também conhecido como, R. Bolla / Richard Bolla / Robert Bolla), Johnny Keyes, Ron Jeremy, Herschel Savage, Wade Nichols, Jack Wrangler, Mike Ranger, Bobby Astyr, William Margold, Marc Stevens, Rick Cassidy, e, posteriormente, Randy West, Jerry Butler, Tom Byron, Peter North, Dick Rambone, Long Dong Silver, e o italiano Rocco Siffredi.
John Holmes, John C. Holmes ou (seu personagem favorito) “Johnny Wadd”, nomes artísticos de John Curtis Holmes (1944 – 1988), foi um dos atores pornô mais famosos e prolíficos da História do Cinema, atuando no período conhecido como a “Era de Ouro” dos filmes adultos.
“John Holmes foi para a indústria de filmes adultos o que Elvis Presley foi para o rock ‘n’ roll. Ele era simplesmente o Rei”.
Participou de centenas de trabalhos cinematográficos (algumas fontes citam mais de 500 filmes documentados, outras fontes estimam que biografias citam que ele teria participado de aproximadamente 2.200 a 3.000 produções (incluindo curtas-metragens e loops (filmes curtíssimos de poucos minutos) de 8 mm), entre 1969 e 1988), entre as décadas de 1970 e 1980 (John Holmes afirmou, durante uma entrevista, que havia feito amor com mais de 14.000 mulheres; o número, na verdade, foi inventado pelo ator de improviso para tentar salvar sua imagem em declínio; o número real de mulheres e homens com quem Holmes fez sexo durante sua carreira nunca seria conhecido).
Sua fama deveu-se em grande parte ao tamanho excepcional de seu pênis, que era o foco principal do marketing de seus filmes (a primeira esposa de Holmes lembrou-se dele afirmando ter 25,4 cm (10 polegadas), quando se mediu pela primeira vez na presença dela; em outra ocasião, Holmes afirmou que seu pênis tinha 40,6 cm (16 polegadas) de comprimento e 33,0 cm (13 polegadas) de circunferência; o amigo de longa data e associado da indústria de Holmes, Bill Amerson, disse: “eu vi John se medir várias vezes: tinha 34,3 cm (13 polegadas e meia)).
Exhausted: John C. Holmes, the Real Story (Exhausted: John C. Holmes, the Real Story, 1981), é um documentário biográfico que explora a vida e a carreira da lendária estrela do cinema adulto John C. Holmes. Embora tenha sido comercializado como a “história real” de Holmes, o filme é frequentemente descrito como um “softball documentary” ou um “documentário de fachada”, servindo mais para promover a imagem mítica do ator do que para apresentar fatos biográficos rigorosos.
Dirigido por Julia St. Vincent (que era confidente de Holmes), o documentário combina entrevistas com Holmes, bastidores de filmagens, depoimentos de profissionais da indústria (como o diretor sino-americano Bob Chinn e a atriz Seka), e cenas de seus filmes adultos.
O filme serviu como material de referência fundamental para o diretor Paul Thomas Anderson ao criar o curta-metragem The Dirk Diggler Story (The Dirk Diggler Story, 1988), e, posteriormente, o longa Boogie Nights: Prazer Sem Limites (Boogie Nights, 1997). Diálogos e cenas de entrevistas de Holmes em Exhausted: John C. Holmes, the Real Story (Exhausted: John C. Holmes, the Real Story, 1981), foram recriados quase literalmente no cinema mainstream.
Neste documentário, Holmes faz afirmações famosas e questionáveis, como a de ter dormido com mais de 14.000 mulheres e possuir diplomas universitários da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), fatos que biógrafos posteriores identificaram como fabricações do próprio ator.
Filmado pouco antes do envolvimento de Holmes nos notórios assassinatos da Wonderland Avenue, em julho de 1981, o documentário captura o auge da “Era de Ouro” do pornô antes do declínio pessoal e legal do ator.
Cinema XXX: Exhausted: John C. Holmes, the Real Story (1981)
No início dos anos 80, sua carreira entrou em declínio devido ao vício em drogas. Em 1981, ele foi envolvido no violento “Massacre de Wonderland”, no qual quatro pessoas foram assassinadas em uma casa em Los Angeles. Holmes foi acusado de participação nos crimes, mas acabou absolvido pelo júri.
Sua trajetória inspirou o personagem Dirk Diggler (interpretado por Mark Wahlberg), no filme Boogie Nights: Prazer Sem Limites (Boogie Nights, 1997), dirigido por Paul Thomas Anderson. Ele também foi retratado por Val Kilmer no filme Crimes em Wonderland (Wonderland, 2003).
Boogie Nights: Prazer Sem Limites – Mudança do Filme para o Vídeo
Holmes foi casado com a também atriz de filmes pornográficos, Misty Dawn, e com Sharon Holmes (embora não tenham sido casadas oficialmente com ele, outras figuras femininas foram centrais em sua vida pessoal, como Dawn Schiller e Julia St. Vincent (diretora do documentário “promocional” Exhausted: John C. Holmes, the Real Story (Exhausted: John C. Holmes, the Real Story, 1981))).
Faleceu em março de 1988, aos 43 anos, devido a complicações causadas pela AIDS.
Cinema XXX: Johnny Wadd
Os diretores mais famosos, foram: Gerard Damiano, os Mitchell Brothers (Jim Mitchell e Artie Mitchell), Radley Metzger (Henry Paris), Bob Chinn, Chuck Vincent, Joseph W. Sarno, e as diretoras: Candida Royalle, Roberta Findlay e Gail Palmer.
O período do Cinema Pornô da década de 1970, é marcado por dois fenômenos distintos: a “Era de Ouro do Pornô” nos Estados Unidos, e a ascensão da “Pornochanchada” no Brasil. Enquanto a produção americana viu a transição do cinema erótico para o sexo explícito (Hardcore), com orçamentos maiores, o Brasil viveu um auge de comédias eróticas que driblavam a censura da Ditadura Militar.
Abaixo, os filmes “convencionais” que melhor representam esse período, no contexto americano da década de 70:
Crimes em Wonderland (Wonderland, 2003): drama policial baseado na história real dos brutais assassinatos ocorridos em julho de 1981, na Avenida Wonderland, em Los Angeles; a narrativa gira em torno de John Holmes (interpretado por Val Kilmer), que foi um dos astros pornô mais famosos da década de 70, mas que, na época dos crimes, estava com a carreira em declínio e enfrentava um grave vício em cocaína.
Boogie Nights: Prazer Sem Limites (Boogie Nights, 1997): drama que explora a ascensão e queda de um jovem na indústria de filmes adultos no San Fernando Valley, Califórnia, entre o final dos anos 70 e o início dos 80; o filme acompanha Eddie Adams (interpretado por Mark Wahlberg), um ajudante de cozinha que é descoberto pelo diretor pornô Jack Horner (Burt Reynolds); Eddie adota o nome artístico de Dirk Diggler, e rapidamente se torna uma estrela internacional, devido aos seus atributos físicos e carisma.
Por Dentro do Garganta Profunda (Inside Deep Throat, 2005): documentário americano sobre o filme pornográfico de 1972, Garganta Profunda (Deep Throat, 1972), que esteve na vanguarda da “Era de Ouro do Pornô”, e seus efeitos na sociedade americana; a apresentação inclui cenas do filme, notícias da época e entrevistas, tanto de arquivo quanto de imagens recentes, com o diretor Gerard Damiano, a atriz Linda Lovelace, o ator Harry Reems, Gore Vidal, Larry Flynt, Hugh Hefner, John Waters, o advogado de defesa de Reems, cobradores de dinheiro da máfia, e outras pessoas envolvidas ou que apenas comentaram sobre o filme.
Cinema XXX: Por Dentro do Garganta Profunda (Inside Deep Throat, 2005)
Lovelace (Lovelace, 2013): cinebiografia que narra a vida de Linda Lovelace, a protagonista do icônico filme pornô, Garganta Profunda (Deep Throat, 1972), que se tornou um fenômeno cultural inesperado nos Estados Unidos; estrelado por Amanda Seyfried, o longa foca na trajetória de Linda sob duas perspectivas (a primeira parte mostra Linda Boreman, uma jovem de família conservadora que conhece Chuck Traynor (Peter Sarsgaard), e sob sua influência, entra na indústria pornográfica e atinge o estrelato mundial; a segunda metade do filme revisita os mesmos eventos para revelar o abuso físico e emocional que Linda sofria de seu marido; ela era, na verdade, coagida e explorada por Traynor).
Censura Máxima (Rated X, 2000): feito para televisão, é um drama biográfico dirigido por Emilio Estevez, que narra a ascensão e queda real dos irmãos Mitchell, pioneiros da indústria cinematográfica adulta nos Estados Unidos, durante as décadas de 70 e 80; o filme acompanha os irmãos, Jim Mitchell (interpretado por Emilio Estevez) e Artie Mitchell (interpretado por Charlie Sheen), desde o início de suas carreiras como estudantes de cinema, até se tornarem magnatas do entretenimento adulto; ganharam fama mundial ao produzir e dirigir o clássico cult Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door, 1972), que ajudou a levar o Cinema Pornô para o mercado mainstream.
Star 80 (Star 80, 1983): realizado pelo aclamado diretor, Bob Fosse, é um drama biográfico sombrio, que narra a trágica história real de Dorothy Stratten, uma linda e ingênua modelo da revista masculina Playboy (fundada por Hugh Hefner), e atriz em ascensão; o filme foca na relação autodestrutiva entre Dorothy (interpretada por Mariel Hemingway), e seu marido e empresário, o explorador de mulheres, Paul Snider (vivido por Eric Roberts).
A chamada “Era de Ouro do Pornô” (aproximadamente entre 1969 e 1984), então, foi um período em que Filmes Adultos tinham orçamentos maiores, roteiros elaborados e eram exibidos em cinemas convencionais.
Os principais filmes que retratam essa época, são divididos entre Produções de Ficção e Cinebiografias, que homenageiam o período e os clássicos originais que definiram a era.
Estas obras modernas recriam a atmosfera e os bastidores da indústria de Filmes Adultos naquelas décadas. Assim, retratam os filmes reais que quebraram barreiras culturais e levaram o público geral aos cinemas “X-Rated”.
The Deuce é uma aclamada série dramática da HBO (Home Box Office), criada por David Simon e George Pelecanos, que retrata a ascensão da indústria pornográfica e a legalização do sexo em Nova York (principalmente na região da Times Square e arredores (42nd Street)), nos anos 70 e 80.
O nome da série The Deuce (da HBO), é uma gíria para a 42ª Rua (42nd Street), em Manhattan, na cidade de Nova York, especificamente o trecho entre a Sétima e a Oitava Avenida. Nos anos 70 e 80, esse local era o epicentro do comércio do sexo, da prostituição e da pornografia, servindo como o cenário central e foco da trama.
O nome também alude aos protagonistas, os irmãos gêmeos, Vincent e Frankie Martino (ambos interpretados por James Franco), reforçando a ideia de “dois” (do francês antigo deus e do latim duo).
Com três temporadas (2017 – 2019), a trama estrelada por James Franco e Maggie Gyllenhaal, foca na transformação cultural, corrupção policial e exploração. Assim, durante os anos 1970 e 1980, a indústria pornográfica viveu um período de ascensão na cidade de Nova York.
Os irmãos gêmeos Vincent e Frankie Martino (James Franco), são importantes nomes da indústria pornô no período. Enquanto alguns faturam com este novo negócio, a violência e o tráfico de drogas começam a se tornar cada vez mais comum na região.
A série é amplamente baseada em pessoas e relatos reais da Nova York dos anos 70 e 80. Embora muitos personagens sejam composições ficcionais para representar a época, os protagonistas e várias figuras secundárias têm inspirações diretas:
Vincent e Frankie Martino: os gêmeos interpretados por James Franco são baseados em irmãos gêmeos reais que operavam bares financiados pela máfia na região da Times Square. O “Vincent real” gravou cerca de 90 horas de depoimentos antes de morrer, detalhando sua vida e o ambiente da época, que serviu de base principal para os criadores, David Simon e George Pelecanos.
Eileen “Candy” Merrell: a personagem de Maggie Gyllenhaal foi inspirada em duas fontes: uma bartender e trabalhadora do sexo real chamada Candy (que frequentava o bar do “Vincent real”) e, mais tarde na trama, na diretora e atriz pornô pioneira, Candida Royalle, que lutou pelo olhar feminino na indústria adulta: o “feminist porn” (pornô feminino), além de incorporar histórias de Annie Sprinkle (ex-prostituta que se tornou cineasta pornô).
Lori Madison: a trajetória da personagem vivida por Emily Meade é vagamente inspirada na vida trágica da estrela pornô Shauna Grant.
Harvey Wasserman (David Krumholtz): o diretor de filmes pornô e mentor de Candy, é baseado em diretores da época, frequentemente comparado a figuras como Gerard Damiano (diretor de Garganta Profunda (Deep Throat, 1972)).
The Dark Brothers: os diretores que aparecem na série são inspirados nos irmãos Walter e Gregory Dark, figuras reais da chamada “Era de Ouro” do pornô.
Além desses, a ambientação e muitas subtramas de The Deuce (apelido da Rua 42), foram construídas a partir de pesquisas históricas sobre a corrupção policial, a influência da máfia (família Gambino), e a transformação urbana da Times Square (que fica localizada na área central Midtown, no coração do distrito Manhattan, na cidade de Nova York), no período.
Cinema XXX: The Deuce (2017 – 2019)
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Cinema Pornográfico e a Revolução Sexual:
A Revolução Sexual da década de 1970, foi o auge de um movimento cultural iniciado nos anos 60, que desafiou códigos tradicionais de comportamento e moralidade. Ela transformou a sexualidade de um tabu focado na procriação em um elemento de liberdade individual e prazer.
A difusão da pílula anticoncepcional permitiu que as mulheres separassem o sexo da reprodução, possibilitando o controle sobre a própria fertilidade.
O Movimento Feminista focou na libertação do corpo, no direito ao prazer (como os Estudos ou Relatórios de Shere Hite sobre o orgasmo (foram pesquisas revolucionárias sobre a sexualidade feminina baseadas em questionários anônimos de milhares de mulheres; eles quebraram tabus ao revelar que a maioria das mulheres não atingia o orgasmo através da penetração vaginal, destacando a importância da estimulação clitoriana para o prazer feminino)), e na luta contra a violência doméstica.
O Levante de Stonewall (foi uma série de protestos e confrontos violentos entre a polícia e membros da comunidade LGBTQIA+, em Nova York, iniciada em 28 de junho de 1969, no bar Stonewall Inn; a revolta reagiu a uma batida policial no estabelecimento e tornou-se um marco crucial para o moderno movimento de libertação gay e luta por direitos civis), impulsionou, nos anos 70, a visibilidade e a luta organizada por direitos civis para a comunidade gay, bissexual e trans.
O sexo sem compromisso e o divórcio tornaram-se mais aceitos socialmente, reduzindo o peso institucional da igreja e da família tradicional, sobre a vida privada.
O lema “Paz e Amor” e ideais pacifistas influenciaram jovens a rejeitar valores burgueses, em favor de um estilo de vida mais livre e hedonista (é a pessoa que adota o hedonismo como estilo de vida, buscando o prazer (sensorial, intelectual ou material), como o objetivo supremo da existência).
O Cinema para Adultos dos anos 70, ajudou a Revolução Sexual ao normalizar o sexo explícito e a desafiar a moralidade tradicional. Popularizou-se com produções de baixo orçamento, como a Pornochanchada Brasileira, que atraíram o grande público. Filmes como Garganta Profunda (Deep Throat, 1972), dirigido por Gerard Damiano, e Meninos na Areia (Boys in the Sand, 1971), dirigido por Wakefield Poole, tornaram a pornografia um produto comercial, marcando a sua “Era de Ouro”.
Como o Cinema Pornográfico Impulsionou a Revolução Sexual:
Filmes Eróticos foram fundamentais para desafiar normas sociais conservadoras e os tabus sobre o sexo, popularizando a pornografia como uma indústria comercial.
Nos anos 70, a pornografia teve a sua “Era de Ouro”, caracterizada pela produção de filmes de baixo orçamento, com ou sem muita história, focados mais em cenas de sexo explícito.
No Brasil, a Pornochanchada levou o Cinema Nacional a um público numeroso, quebrando preconceitos sexuais, apesar da censura e perseguição da Ditadura Militar (que durou de 1964 a 1985).
O Cinema Pornô nos anos 70, em comparação com os conteúdos atuais, era visto como algo secreto, mas evoluiu para uma forma de expressão comercial.
A Revolução Sexual usou o sexo como ferramenta de libertação contra a moral tradicional, influenciando o cinema da época. Atingiu seu ápice nos anos 60 e 70, sendo o Cinema Pornográfico uma parte fundamental desse processo, desafiando convenções sociais, morais ou religiosas, e promovendo uma maior liberdade sexual. Países como Estados Unidos, França e Suécia, foram líderes na produção de filmes eróticos que moldaram o comportamento sexual.
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Classificação:
Os Filmes Pornográficos são geralmente categorizados como pornografia Softcore ou Hardcore. Em geral, a pornografia Softcore é aquela que não retrata atividade sexual explícita, penetração sexual ou fetichismo extremo. Geralmente, contém nudez ou nudez parcial em situações sexualmente sugestivas. A pornografia Hardcore é aquela que retrata penetração ou atos fetichistas extremos, ou ambos. Contém atividade sexual explícita e penetração visível. Uma obra pornográfica é caracterizada como Hardcore se contiver qualquer conteúdo explícito.
São geralmente classificados em subgêneros que descrevem o tema subjacente ou a fantasia sexual que o filme e os atores tentam criar. Os subgêneros também podem ser classificados pelas características dos atores ou pelo tipo de atividade sexual em que se concentram, e não necessariamente pelo mercado a que cada subgênero se destina. Os subgêneros geralmente seguem certas convenções e cada um pode atrair um público específico.
Possuem uma vasta gama de subgêneros que se dividem por fetiches, estilos de produção ou temáticas específicas.
Abaixo estão as principais categorias:
Por Estilo de Produção:
Amador: filmes que simulam produções caseiras, geralmente com câmeras de mão e menos iluminação profissional.
Gonzo: focado na ação sexual direta, muitas vezes sem roteiro, onde o cinegrafista pode interagir com os atores.
POV (Point of View): filmado da perspectiva de um dos participantes, para dar a sensação de imersão ao espectador.
Paródias: produções que satirizam filmes, séries ou personagens da cultura pop com roteiros sexuais.
Por Temática e Estética:
Pornochanchada: gênero histórico do Cinema Brasileiro (anos 70/80), que misturava comédia popular com erotismo.
Sexploitation: filmes que exploram temas sexuais de forma exagerada, muitas vezes misturados com ação ou terror.
Pós-pornô: uma vertente artística e política, que busca desconstruir os padrões da pornografia tradicional.
Hentai: pornografia em formato de animação japonesa (anime).
Por Fetiche ou Conteúdo Específico:
BDSM: envolve práticas de Bondage (imobilização), Disciplina, Sadismo e Masoquismo.
Fetish: focado em objetos ou partes do corpo específicas (ex: pés, látex, uniformes).
Intergeracional: filmes que exploram a diferença de idade entre os participantes (ex: “MILF”, “Daddy”).
Inter-racial: centram sua narrativa em relacionamentos (românticos, familiares ou de amizade), entre pessoas de diferentes raças ou etnias.
Grupal: cenas envolvendo três ou mais pessoas (ex: “Gangbang”, “Orgia”).
Híbridos e Nichos:
Comédias Adolescentes ou Comédia Erótica ou Filmes Teen ou Teen Sex Comedy (Comédia Sexual Adolescente): a Comédia Sexual (também conhecida como Comédia Erótica), é um gênero em que a comédia é motivada por situações sexuais e casos amorosos, especialmente as de tom mais rebelde e sexualizado; gênero cinematográfico voltado para pré-adolescentes e/ou adolescentes e/ou jovens adultos, com enredos baseados em seus interesses específicos, como: amadurecimento, busca por aceitação, bullying, pressão dos colegas, primeiro amor, rebeldia adolescente, conflitos com os pais e angústia, ou…
Raunchy Comedy: usado para descrever o subgênero de comédias mais “pesadas”, “escrachadas” ou “picantes”, como: Porky’s – A Casa do Amor e do Riso (Porky’s, 1981).
Principais Características e Termos Relacionados:
Teen Movie / Teen Film: termo genérico usado para descrever filmes focados no público jovem, explorando temas como escola, romance, perda da virgindade e amizade.
Coming-of-Age: expressão para filmes de “amadurecimento”, que mostram a transição da adolescência para a vida adulta.
Brat Pack: termo que se refere à um grupo de atores, frequentemente usado para identificar o estilo de filmes dirigidos por John Hughes, como: Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985).
Romance Erótico: subgênero que combina a narrativa clássica de um relacionamento amoroso com uma forte ênfase no desejo sexual e na sensualidade; diferente de um filme de Romance convencional, onde o foco pode ser puramente emocional ou idealizado, no Romance Erótico a tensão sexual e o ato físico são centrais para o desenvolvimento dos personagens e da trama; o enredo busca equilibrar o desenvolvimento emocional do casal com cenas de sexo que são apresentadas de forma mais frequente ou detalhada do que no cinema mainstream; no Romance Erótico, o sexo é uma ferramenta narrativa para explorar a intimidade e os conflitos dos personagens; o foco está na estética, na sugestão e no desejo, muitas vezes acompanhado por uma produção visual muito bem-cuidada (música, iluminação e cenários); muitas obras utilizam a técnica do “slow burn”, construindo a atração sexual e a química entre os protagonistas ao longo de muito tempo antes de concretizá-la.
Recentemente, esse gênero tem ganhado força em plataformas de streaming, com produções voltadas especificamente para o público feminino, explorando fantasias e desejos sob uma perspectiva mais subjetiva e emocional.
Suspense Erótico: filmes que utilizam a tensão sexual como motor de uma trama de mistério.
Os filmes de Suspense Erótico (ou Erotic Thrillers), combinam tramas de crime, mistério e perigo, com forte tensão sexual e cenas de sexo (normalmente, simuladas e encenadas). O gênero teve seu auge entre o final dos anos 80 e meados dos 90, mas continua presente com releituras modernas.
Torture Porn: subgênero do terror, que foca em violência gráfica e sofrimento, muitas vezes associado ao erotismo extremo.
“XXX” no Cinema Pornográfico, refere-se a conteúdos explícitos para adultos (alto teor sexual), derivado da classificação “X” americana para filmes adultos (“XX” para pornô soft, sem sexo explícito), ampliada pela indústria para “XXX”, como marketing. Significa “triple x” ou pornô com sexo explícito.
[O termo XXX é herança de um sistema de classificação que não existe mais. Era uma “tradição” do antigo sistema de classificação indicativa dos EUA.
A Motion Picture Association of America (MPAA), fundada em 1922, é uma entidade criada dentro da indústria cinematográfica para a autorregulação e proteção dos interesses dos estúdios.
Em 1968, ela criou um sistema de classificação que ia do G (recomendado para o público geral) ao X (somente para adultos). É mundialmente famosa por ter criado o sistema de classificação indicativa de filmes (como G, PG, PG-13, R e NC-17), que ajuda pais a tomarem decisões sobre o conteúdo que seus filhos assistem.
Representa gigantes do entretenimento, incluindo Walt Disney Studios, Paramount Pictures, Sony Pictures, Universal City Studios, Warner Bros., e, mais recentemente, a Netflix. Os estúdios temiam receber a classificação X, pois isso significaria bilheterias menores e menos cinemas aceitando passar o filme.
Atua como a “voz” de Hollywood globalmente, trabalhando com governos para fortalecer leis de direitos autorais, e proteger a propriedade intelectual.
No entanto, com o tempo, a pornografia foi perdendo seu status de tabu e os produtores de filmes adultos passaram a voluntariamente classificar seus filmes como X. Depois, passaram a usar XX e XXX (classificações não reconhecidas pela MPAA), sinalizando níveis mais fortes de pornografia.
Vale dizer que nem todos os filmes que recebiam o X sozinho eram eróticos: Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971), e A Morte do Demônio / Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio / Evil Dead – A Morte do Demônio (The Evil Dead / Evil Dead / Book of the Dead / Into the Woods / Sam Raimi’s The Evil Dead, 1981), são exemplos disso.
Por isso, e também para evitar a associação com o crescente mercado pornô, a MPAA renomeou sua classificação X para “NC-17” (No Children Under 17 Admitted (“Nenhuma Criança com Menos de 17 anos Admitida”)), em 1990, indicando que o conteúdo é estritamente para adultos. Em termos mais atuais, desde 1996, a norma é entendida como No One 17 and Under Admitted (“Ninguém com 17 Anos ou Menos Admitido”), o que significa que o público deve ter 18 anos ou mais.
Atualmente, chama-se Motion Picture Association (MPA), anteriormente, então, conhecida como Motion Picture Association of America (MPAA): é a organização comercial americana que representa os principais estúdios de cinema e televisão do mundo.
Quando você vê essa mensagem no final de um trailer: “This Film Is Not Yet Rated” (no Brasil, “Este Filme Ainda Não Foi Classificado”), indica que o filme completo ainda não recebeu uma classificação etária oficial da MPA (Motion Picture Association), nos Estados Unidos.]
Cinema XXX: “This Film Is Not Yet Rated”
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Divirta-se!
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Fontes: IMDb, The Movie Database (TMDB), fanart.tv, iafd.com, Vídeo News Filmes Eróticos, Guia Completo de Filmes para TV e Vídeo, 1990, Nova Cultural, Imagine Entertainment, HBO Documentary Films, Home Box Office (HBO), HBO Max, World of Wonder Productions, Showtime Networks, Plausible Films, Kino Lorber, Cassel Productions, Chinn-Adrian Productions, A.P. Pröduktions, VCA Pictures, Lions Gate Films Home Entertainment, Blown Deadline Productions, Mitchell Brothers Film Group, Mitchell Brothers’ Video Cassette (MBVC), Jartech, Inc., Cinema 7 Film Group, Pierre Productions, MB Productions, Gerard Damiano Film Productions (GDFP), Bryanston Distributing, AMMA, American International Pictures (AIP), Ellis Gordon Films, VH1, melusine.com, super.abril.com.br, reddit.com

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